Réu no núcleo 2 da ação sobre tentativa de golpe, Fernando de Sousa afirma que pediu reforço no dia 08 de Janeiro
Em depoimento prestado nesta quarta-feira (24) ao Supremo Tribunal Federal (STF), o delegado da Polícia Federal Fernando de Sousa Oliveira, ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça e ex-secretário-adjunto de Segurança Pública do Distrito Federal (DF), afirmou que indeferiu pedidos de reforço eleitoral no segundo turno de 2022, alegando ausência de viabilidade técnica, e que solicitou apoio da Força Nacional antes dos atos do 8 de janeiro.
Ele também disse que a Polícia Militar do DF descumpriu o PAI (Plano de Ação Integrada) e forneceu informações falsas sobre o número de efetivos. Fernando é réu no núcleo 2 do processo que apura a suposta tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, houve uma mudança de postura do Ministério da Justiça entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2022.
“No segundo turno houve uma demanda exacerbada de uma operação. E eu justifiquei que não havia nenhuma viabilidade técnica para a implementação dessa operação (…) Esse foi o primeiro desalinhamento com o ministro Torres.”
Ele ainda afirmou que indeferiu todos os pedidos de envio de efetivos da Polícia Rodoviária Federal, e que não participou de qualquer plano para blitz ou reforço de policiamento em rodovias. Segundo Fernando, os indícios levantados pela inteligência indicavam foco em centros urbanos, o que afastaria a necessidade da operação solicitada.
“Sugeri a não implementação. Na minha opinião técnica, não havia viabilidade (…) Refuto a acusação de que eu estaria alinhado em ações da PRF.”
Sobre o dia 8 de janeiro, o delegado afirmou que atuou no reforço da segurança, destacou a criação de grupos de inteligência e relatou que solicitou ajuda à Força Nacional antes dos ataques.
“Como eu estaria envolvido em alguma coisa se eu estava pedindo reforço? Eu tenho prova também. O ministro Flávio Dino citou meu nome em entrevista dizendo que eu fiz o pedido.”
Fernando responsabilizou a PMDF por quebra de protocolo e erro no efetivo empregado:
“A coronel Cíntia me passou que seriam 600 homens. Depois descobrimos que não eram nem 200. Não sei por qual motivo a PM resistiu ao comando e descumpriu com o PAI.”
O delegado também relatou ter pedido que Anderson Torres reconsiderasse a viagem feita dias antes da invasão, e disse que não foi formalmente notificado sobre a sua substituição. “Eu pedi a ele a reconsideração da viagem. Será que não tem como adiar uns 2 ou 3 dias?”
Ao final, Fernando chorou ao falar que não comprometeria sua carreira ou de sua família, e relatou ter atuado ativamente na retomada da Esplanada.
A defesa de Fernando sustenta que ele não tem atuação político-partidária e que entregou espontaneamente seu celular às autoridades. Ele é julgado ao lado de outros integrantes do núcleo 2, como Silvinei Vasques, Marília Alencar, Marcelo Câmara e Mário Fernandes.
