Anderson Torres atuou com isenção na transição, afirma ex-secretário ao STF - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Anderson Torres atuou com isenção na transição, afirma ex-secretário ao STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ex-secretário executivo do Ministério da Justiça, Antonio Ramiro Lourenzo, afirmou agora há pouco em depoimento ao STF que a equipe do ministro Anderson Torres atuou com isenção até o fim do governo Bolsonaro e que, mesmo diante do clima de insatisfação nos bastidores, a transição de poder foi tratada como inevitável. “Nunca se cogitou algo que não fosse a transição”, disse. Segundo Lourenzo, a atuação do Ministério da Justiça durante o período eleitoral seguiu uma linha técnica e imparcial. “A filosofia foi a mesma nos dois turnos da eleição. Nunca houve viés contra nenhum candidato”, disse.

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Ele relatou que as operações da PF buscavam prevenir crimes eleitorais, sem direcionamento político. “Se alguém estivesse comprando votos e visse um policial, desistiria. Isso já era considerado missão cumprida.”

Lourenzo também explicou o motivo da mudança de local de uma live institucional do então presidente Bolsonaro, inicialmente prevista para acontecer no Ministério da Justiça. De acordo com ele, Torres conseguiu convencer a equipe de que não era apropriado usar a sede do Ministério da Justiça, e o evento foi transferido para o Palácio da Alvorada.“A pauta era polêmica. Eu participei diretamente da decisão”, afirmou.

Sobre as urnas eletrônicas, o ex-secretário disse que não havia base técnica para questionar seu funcionamento. Leu relatórios internos da PF e concluiu que não havia elementos que justificassem dúvidas. “Busquei opiniões técnicas. Não havia ataques às urnas.” Para ele, o apoio da PF ao TSE se deu em encontros institucionais e dentro da legalidade.

Lourenzo também comentou declarações pessoais feitas nas redes sociais no dia da diplomação de Lula, em que chamou o presidente eleito de “vergonha nacional” e criticou a esquerda. Em depoimento, atribuiu as falas “ao calor do momento” e reconheceu que deveria ter guardado as opiniões para si.

Ao abordar os episódios de violência registrados em Brasília em dezembro de 2022, o ex-secretário executivo disse que não cabia ao Ministério da Justiça responder diretamente por ações como a queima de ônibus ou tentativa de invasão à sede da PF. “Isso é responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública do DF”, afirmou. Ainda assim, admitiu preocupação com a proposta de fazer uma live dentro do Ministério da Justiça naquele contexto. “Estávamos em posição delicada.

No encerramento do depoimento, Lourenzo reafirmou que o objetivo do Ministério da Justiça era apenas concluir os três meses de trabalho e garantir uma transição institucional. “Minha vida teria sido muito mais fácil, especialmente depois do 8 de janeiro, se eu não tivesse participado do Ministério da Justiça.

O tenente-coronel Rosivan Correia de Souza, servidor da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, também prestou depoimento. Ele afirmou que a Polícia Militar não é subordinada diretamente à SSP-DF, mas existe uma vinculação administrativa. “Aqui no DF, há uma certa subordinação, mas não como ocorre em outros estados”, explicou.

Questionado sobre o Plano de Ações Integradas (PAI), que previa segurança para a região central de Brasília, Rosivan disse que o bloqueio da Praça dos Três Poderes sempre contemplava o plano e que nenhum plano do tipo é executado sem autorização do secretário. Confirmou que sua função não envolvia inteligência e que não teve acesso a relatórios. Segundo ele, as informações disponíveis antes do 8 de janeiro estavam majoritariamente em rede aberta.

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