Cid relata “bravateiros” no WhatsApp e ajuda de Braga Netto a apoiadores - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Cid relata “bravateiros” no WhatsApp e ajuda de Braga Netto a apoiadores

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Por Adrian Almeida

Ele narra pedido de dinheiro por coronel e repasse com possível origem no agronegócio

Durante o interrogatório conduzido por Alexandre de Moraes nesta segunda-feira (9) na Primeira Turma, o tenente-coronel Mauro Cid disse que havia muitos “bravateiros” entre seus contatos do WhatsApp e confirmou que dois coronéis o procuraram pedindo apoio para manifestações em frente a quartéis, logo após a eleição de 2022.

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Cid afirmou que o conteúdo dos diálogos era mais de desabafo do que de um planejamento, e não havia articulação organizada ou qualquer estrutura radical no meio.

De acordo com ele, os coronéis Rafael de Oliveira e Ferreira Lima estavam insatisfeitos com o resultado eleitoral e o procuraram para discutir o que poderia ser feito. Ele levou a demanda a Braga Netto, ex-ministro da Defesa.

O que poderia ser feito? Nessa toada. Mas não teve nada de radicalismo ou de planejamento ou de apresentação formal de alguma ideia ou ação”, disse.

O encontro, segundo ele, durou entre 10 e 15 minutos. Cid disse que Braga Netto pediu que ele deixasse a reunião logo no início, para que qualquer eventual discussão posterior não fosse vinculada a Bolsonaro. Dois dias depois, segundo Cid, o então major de Oliveira voltou a procurá-lo pedindo dinheiro para apoiar a presença de manifestantes vindos do Rio de Janeiro.

Inicialmente brinquei com ele: 100 mil?”.

Ele então buscou orientação com Braga Netto, que sugeriu que a melhor forma seria com o tesoureiro do PL. Sobre o dinheiro, Cid afirmou que tratou diretamente com Braga Netto.

Eu nunca fui ao PL, eu pedi ao General Braga Netto”.

O pedido foi recusado pelo partido, mas o general posteriormente entregou uma quantia em espécie, “com certeza não era 100 mil”.

O valor foi entregue numa caixa de vinho, já mencionada em depoimentos anteriores. Questionado por Moraes sobre a origem do dinheiro, Cid respondeu não saber de onde veio exatamente

Não, senhor. Soubemos que poderia ser do pessoal do agronegócio que estava ajudando a manter as manifestações na frente dos quartéis. Então, em primeiro momento essa foi minha ideia principal”.

Mauro Cid afirmou também que enfrentava um quadro psicológico fragilizado quando gravou áudios criticando sua própria delação premiada. As gravações, enviadas a amigos, vazaram sem seu consentimento.

Passei por um momento difícil com minha família. Áudios de minha filha e fotos pessoais vazaram na imprensa, minha carreira militar e vida financeira ruíram, o que gerou uma crise psicológica intensa, levando a um desabafo”, afirmou Cid.

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