Relator da CPI critica silêncio de Vinícius Marques de Carvalho diante do esquema bilionário
O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, declarou nesta quinta-feira (2) que não poderia ter informado o governo federal sobre as fraudes bilionárias no INSS para não comprometer as investigações. O depoimento foi dado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura descontos ilegais em aposentadorias e pensões.
“O procedimento para a realização de auditorias que se transformam em inquérito policial é o sigilo. A minha responsabilidade funcional era garantir, inclusive, que essa investigação acontecesse da forma mais eficiente possível. Então, era minha obrigação funcional não revelar dados que pudessem ser usados em uma investigação para ninguém”, afirmou o CGU.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), criticou a postura do ministro, alegando que era obrigação dele comunicar o Executivo sobre o esquema.
Carvalho disse que tomou conhecimento das irregularidades em março de 2023, após pedidos de informação feitos pela imprensa via Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo ele, a CGU iniciou apurações internas que resultaram em relatórios e, posteriormente, na Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal.
A CPI foi articulada pela oposição para investigar os descontos irregulares que atingiram aposentados e pensionistas. O colegiado é formado por 16 deputados e 16 senadores, em composição proporcional ao tamanho das bancadas no Congresso.
O caso veio a público em 2023, após reportagem revelar as primeiras evidências do esquema, que levou à abertura de inquérito e ao avanço das investigações.
