Relator diz que depoente é peça-chave do maior roubo contra aposentados
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou nesta quinta-feira (25) que Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, está no “epicentro do maior roubo aos aposentados e pensionistas do Brasil”. O parlamentar disse se sentir lisonjeado com a decisão do depoente de não responder suas perguntas.
“Para mim é um elogio, já mostrou que não tem capacidade de mentir e enganar diante das perguntas do relator. Esse careca não é o líder da organização criminosa, ele é apenas a passagem do dinheiro desviado do povo trabalhador brasileiro”, disse Gaspar.

No início da sessão, Antunes anunciou que não responderia a questionamentos de Gaspar, alegando falta de imparcialidade.
“Não responderei às perguntas elaboradas pelo relator. Segundo meus advogados, Sua Excelência disse, por mais de uma vez, que sou ladrão do dinheiro de aposentados, sem me dar a chance de defesa. O relator já me julgou e condenou sem sequer me ouvir. Tal conduta revela a quebra da imparcialidade que se espera de um agente público responsável pela apuração de eventual infração penal”, declarou.
Gaspar fala em esquema bilionário
Gaspar disse que o esquema fraudulento já movimentou mais de R$ 6 bilhões e montou uma “estrutura de máfia” dentro da Previdência. Segundo ele, os afastamentos de sigilos bancário e fiscal chegaram apenas nesta semana, o que permitirá avançar com dados concretos.
“Há certeza que ele faz parte de uma organização criminosa por onde passaram mais de R$ 2 bilhões. Foi montada uma estrutura de máfia dentro da Previdência Social. Criaram descontos associativos com fé pública às entidades, mas 97,6% dos aposentados ouvidos disseram não ter autorizado os descontos”, afirmou.
O deputado destacou ainda que, além dos descontos associativos, há indícios de fraudes no crédito consignado.
“Enquanto o desconto associativo estava na faixa de 300 a 400 milhões, os consignados chegaram a R$ 7 bilhões por mês. Há indícios de taxas de juros diferentes do contrato e autorizações falsas”, disse.
Relator aponta “máfia da Previdência”
Gaspar afirmou que a CPMI investigará também possíveis vínculos políticos ligados ao esquema.
Segundo o relator, mais de 40 associações estão sob suspeita, mas apenas 10 foram investigadas até o momento.
