Ministra defende julgamentos do STF sobre a trama golpista e cita ameaças registradas nos autos
A ministra Cármen Lúcia, do STF, afirmou durante uma conferência literária no Rio de Janeiro que estaria presa caso a tentativa de golpe de Estado tivesse sido consumada no país. A declaração ocorreu na FliRui, onde ela explicou por que a Corte julga crimes ligados à suposta trama golpista.
“Outro dia alguém me perguntava por que julgar uma tentativa de golpe, se foi apenas tentativa. Meu filho, se tivessem dado golpe, eu estava na prisão, não poderia nem estar aqui julgando”, disse a ministra.
Ela lembrou que os processos trazem registros de ordens para “neutralizar” ministros do Supremo e destacou que as provas e decisões estão documentadas. “A palavra traduz a alma de uma pessoa”, afirmou.
A fala ocorre dias após o STF determinar o início do cumprimento das penas dos réus do núcleo 1 da trama golpista, grupo que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.
Cármen Lúcia também comparou ditaduras a “ervas daninhas” e disse que a democracia exige construção contínua. “É preciso trabalhar todo dia”, declarou.
Em setembro, Bolsonaro e outros seis aliados foram condenados por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
