Câmara pode punir deputados que obstruírem trabalhos
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Câmara aprova urgência para punir deputados que obstruírem trabalhos

Bancada do PL se divide na votação do PLP do Devedor Contumaz por erro técnico da assessoria, favorecendo avanço do projeto que combate fraudes e crime organizado
Bancada do PL se divide na votação do PLP do Devedor Contumaz por erro técnico da assessoria, favorecendo avanço do projeto que combate fraudes e crime organizado. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

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Por Isac Mascarenhas

A Câmara dos Deputados aprovou a urgência para um projeto de resolução que visa modificar o regimento interno da Casa, a fim de punir parlamentares que obstruírem o bom andamento das atividades legislativas.

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Se a nova resolução for aprovada, serão adicionadas cláusulas ao Código de Ética Parlamentar que estabelecem como atentado ao decoro quem:

  • Praticar ofensas verbais nas dependências da Câmara dos Deputados ou desrespeitar, por meio de palavras ou atos, outro membro da Casa, a Mesa, uma Comissão ou seus respectivos Presidentes;
  • Cometer agressão física nas dependências da Câmara dos Deputados;
  • Impedir ou dificultar, por meio de ação física ou qualquer outra que ultrapasse as prerrogativas regimentais, o funcionamento das atividades legislativas.

A proposta foi apresentada hoje pela cúpula da Câmara como uma resposta à ocupação do plenário no início do mês, quando deputados de oposição realizaram um protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. O incidente interrompeu os trabalhos na Câmara por 36 horas, e uma ação similar foi feita pela oposição no Senado.

Caso o texto seja aprovado, a Mesa Diretora poderá aplicar a suspensão imediata a um deputado que usar a obstrução física para impedir a abertura da sessão e o andamento dos trabalhos. O caso será, posteriormente, encaminhado para o Conselho de Ética, para análise.

Atualmente, o regimento interno não permite que a Mesa suspenda um parlamentar de forma direta; é necessário enviar uma representação ao colegiado.

A cúpula da Câmara justificou a proposta afirmando que os recentes e graves episódios de invasão do plenário e de confrontos físicos entre parlamentares são “manifestamente incompatíveis” com o mandato e com o Estado Democrático de Direito.

“Tais atos não apenas paralisam a atividade legislativa, mas também corroem a imagem e a autoridade desta Casa perante a sociedade”, complementa o documento.

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