Na manhã desta quinta-feira (17), o ex-presidente Jair Bolsonaro concedeu entrevista coletiva no Senado, onde abordou as investigações do suposto golpe de estado. Ele rechaçou as acusações de tentativa de golpe, criticou o isolamento internacional do país sob o atual governo e comentou as tarifas de Trump. Numa das falas, o ex-prediente criticou o julgamento STF: “O que o Alexandre de Moraes quer”, questionou.
Bolsonaro reiterou que os eventos de 8 de janeiro de 2023 não constituíram um golpe de Estado. “O 08 de Janeiro foi uma manifestação que perdeu o controle, virou uma balbúrdia e não foi golpe”, afirmou. Ele disse ter conversado com ex-ministros da Defesa, como Nelson Jobim e Aldo Rebelo, que, segundo ele, também confirmaram a ausência de um golpe. “Até o Sarney falou que não houve golpe”, acrescentou.
Bolsonaro defendeu sua inocência, citando como base a investigação da Polícia Federal. “O relatório da Polícia Federal não me bota no 8 de janeiro. O senhor Paulo Gonet me bota [sic]. Foi a lei dos autos. Eu não tenho que provar que sou inocente. Eles têm que provar que eu sou culpado. Tudo é suposição”, declarou.
Ele também abordou a questão das urnas eletrônicas, um dos temas usados pela PGR para aumentar a sentença do ex-presidente. “Quando se fala em urna eletrônica, esqueça a palavra fraude. É um sistema eletrônico, pode ter erro”.
Bolsonaro classificou a condenação como um “absurdo”, argumentando a falta de um líder claro para o suposto golpe. “Quando há uma tentativa ou um golpe registrado em qualquer lugar do mundo, em poucos minutos, o mundo todo fica sabendo quem foi o autor, quem foi o general, quem foi o presidente, quem foi o civil. Até hoje aqui, não chegaram à conclusão quem coordenou o 08 de Janeiro, quem comandou um golpe sem armas, sem Forças Armadas, sem um núcleo político, que fez contato com o mundo. É um absurdo isso aí, não tem cabimento”. E concluiu: “O que Alexandre de Moraes quer?”.
De acordo com as alegações da PGR, Bolsonaro seria líder da suposta organização criminosa que teria planejado um suposto golpe de Estado.
Na segunda (14), a PGR reiterou o pedido de condenação de Bolsonaro e outros réus pelos crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Se condenado pelo STF, ele pode receber mais de 40 anos de prisão.
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