Beto Simonetti não assina ofício da OAB ao STF sobre inquérito das fake news
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Beto Simonetti não assina ofício da OAB ao STF sobre inquérito das fake news

Documento enviado ao ministro Edson Fachin é assinado pelo presidente em exercício, Felipe Sarmento Cordeiro

O documento solicita que seja marcada uma audiência com o ministro Fachin.. Foto: Raul Spinassé / Novo Selo.

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Por Redação

O documento enviado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nesta segunda-feira (23) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pedindo o encerramento de investigações de “duração indefinida”, em especial o Inquérito n.º 4.781, conhecido como inquérito das fake news, não é assinado pelo presidente da OAB, Beto Simonetti.

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Em seu lugar, consta a assinatura de Felipe Sarmento Cordeiro, que ocupa a presidência da Ordem de forma interina, e o texto expressa “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração”.

O ofício reconhece que o inquérito foi aberto em março de 2019 em um “ambiente de grave tensão institucional”, marcado por ataques virtuais a ministros do Supremo, disseminação coordenada de conteúdos fraudulentos e ameaças ao funcionamento das instituições republicanas.

A OAB ressalta, entretanto, que o contexto excepcional que motivou a criação do processo exige hoje condução cuidadosa, com definição clara de limites, escopo e duração.

“O Inquérito n.º 4.781 aproxima-se de sete anos de tramitação, o que recomenda exame sob a ótica da duração razoável dos procedimentos e da necessária delimitação de seu objeto”, afirma o documento.

A Ordem aponta ainda a inclusão recente de pessoas e fatos que, embora possam merecer investigação, não se vinculam diretamente ao núcleo original do inquérito. A referência é à operação da Polícia Federal, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, contra quatro servidores da Receita Federal suspeitos de vazar informações fiscais sigilosas de ministros do STF e seus familiares.

Foram aplicadas medidas como tornozeleira eletrônica e afastamento das funções.

O ofício alerta para o “tom intimidatório” gerado pela indefinição quanto aos objetivos e à duração de investigações como a do inquérito das fake news, classificando a situação como “incompatível com o espírito democrático, republicano e institucional consagrado pela Constituição de 1988”.

A OAB enfatiza a necessidade de proteger o livre exercício profissional de advogados e jornalistas, sobretudo em casos que envolvem sigilo profissional, acesso a dados sensíveis e preservação da confidencialidade da relação entre defensor e constituinte.

“A advocacia não pode atuar sob ambiente de incerteza quanto aos limites da atuação investigativa estatal”, afirma o texto.

Por fim, o documento solicita que seja marcada uma audiência com o ministro Fachin.

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