Casos já somam R$ 6,6 bilhões
O Banco do Brasil mantém o sinal de alerta ligado diante do avanço das recuperações judiciais no setor rural e do impacto direto desse movimento sobre seus resultados. Em setembro deste ano, a instituição registrava R$ 6,6 bilhões em operações de crédito ligadas a 928 clientes com pedidos de recuperação judicial.
Embora representem uma parcela minoritária dentro do total de inadimplência do banco, que atingiu 5,34 por cento ao fim do terceiro trimestre, as recuperações judiciais no campo têm gerado efeito imediato sobre o balanço da instituição.
Segundo o vice presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, essas operações exigem um nível elevado de provisionamento, mesmo em casos nos quais ainda não há atraso superior a 90 dias.
“Algumas dessas operações sequer entraram em atraso que caracterize inadimplência, mas a entrada em recuperação judicial já obriga o banco a fazer provisão para uma possível perda. O aumento da inadimplência não é exclusividade das recuperações, mas elas têm impacto mais significativo sobre as contas do banco”, afirmou.
Atualmente, 75 por cento do valor total das operações em recuperação judicial já está provisionado pelo Banco do Brasil. Dentro da carteira de crédito rural, que soma R$ 361 bilhões, cerca de R$ 19,3 bilhões estão em atraso superior a 90 dias, enquanto o volume total de provisões chega a R$ 32,8 bilhões.

Banco cobra definição sobre recuperação judicial no meio rural
Para Bittencourt, o crescimento desses pedidos revela a necessidade de um novo arranjo legislativo ou de uma definição mais clara por parte do Judiciário quanto aos limites e à abrangência da recuperação judicial aplicada a produtores rurais.
Ele ressalta que a legislação que permitiu esse tipo de solicitação entrou em vigor apenas em 2020 e que o setor ainda atravessa um processo de adaptação e entendimento sobre os impactos do mecanismo na dinâmica do crédito rural.
“Só a Justiça vai nos dar uma orientação mais clara à medida que conseguir entender melhor o que está acontecendo e definir os limites. Todos reconhecem que são necessárias mudanças. Se isso vai ocorrer por meio de interpretação jurídica ou de alteração no Congresso, é uma definição mais política que deve acontecer nos próximos meses”, disse.
A avaliação do Executivo é que uma definição mais objetiva pode contribuir para reduzir riscos tanto para as instituições financeiras quanto para toda a cadeia do agronegócio, que depende diretamente do crédito para manter suas operações e investimentos.
