Bahia: 58,8% da população sem coleta de esgoto e 11 mil internações pela falta de saneamento - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Saúde

Bahia: 58,8% da população sem coleta de esgoto e 11 mil internações pela falta de saneamento

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A precariedade do saneamento básico na Bahia atinge níveis alarmantes. Segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, 58,8% da população não tem acesso à coleta de esgoto, o que corresponde a cerca de 8,3 milhões de pessoas. O impacto da falta de infraestrutura básica reflete diretamente na saúde: em 2022, mais de 11 mil internações foram registradas no estado por doenças relacionadas à água contaminada, como hepatite infecciosa, cólera, gastroenterite e febre tifoide. No mesmo período, 182 pessoas morreram devido a essas enfermidades.

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A taxa de internações por doenças ligadas à falta de saneamento na Bahia é de 7,94 a cada 10 mil habitantes, enquanto a taxa de mortalidade chega a 0,13%. O custo das internações hospitalares por esses problemas ultrapassou R$ 5 milhões. A situação também é crítica no que se refere ao tratamento de esgoto: o estado ainda despeja cerca de 272,4 mil metros cúbicos de dejetos sem tratamento adequado. Além disso, 20,3% dos baianos não têm acesso à água potável.

Em Salvador, a situação é ligeiramente melhor, mas ainda preocupante. A capital tem 98,8% de sua população com acesso à água potável, mas 11,7% ainda vivem sem coleta de esgoto. A incidência de internações por doenças de veiculação hídrica é de 2,44% e a taxa de óbitos, 0,10%. Os custos com internações decorrentes da falta de saneamento somaram R$ 595,8 mil.

O discurso oficial x realidade

A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) afirmou que o estado tem avançado no acesso à água tratada e coleta de esgoto. Segundo a empresa, o acesso à rede coletora de esgoto aumentou 9,1% em dez anos e Salvador é a capital mais saneada do Norte/Nordeste. No entanto, os números gerais mostram uma realidade distante da propaganda oficial. O estado ainda está longe de atender às metas do Novo Marco do Saneamento, que prevê 99% de cobertura de água e 90% de esgoto até 2033.

Enquanto isso, investimentos são anunciados, mas pouco se vê de avanço concreto. Somente em 2024, a Embasa diz ter investido R$ 1,167 bilhão e promete R$ 10 bilhões até 2029 para ampliar o saneamento em 368 municípios. Mas a pergunta que fica é: quando a população baiana verá esses resultados na prática?

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