Quatro autoridades, incluindo os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), do STF, Luís Roberto Barroso, e o ministro do Turismo, Celso Sabino, usaram aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) para viajar ao Festival de Parintins, no Amazonas, entre 26 e 29 de junho. Nenhum deles apresentou compromissos oficiais que justificassem os deslocamentos.
Registros da FAB mostram que, em 27 de junho, Sabino, Alcolumbre, Motta e o corregedor do Conselho Nacional de Justiça, Mauro Campbell, partiram de Brasília para Parintins. No retorno, dia 29, a aeronave transportou 20 pessoas. O senador Eduardo Braga (MDB-AM), que recepcionou o grupo, anunciou na rádio local a liberação de R$ 17 milhões para o Aeroporto de Parintins, sem detalhar compromissos formais.
Um decreto permite o uso de aviões da FAB por presidentes dos Três Poderes, ministros e comandantes militares em missões oficiais, emergências médicas ou por segurança. No entanto, desde a volta do governo Lula ao poder, autoridades têm recorrido aos jatos para eventos culturais sem justificativas claras.
Barroso, que viajou dia 26 com escala em Rio Branco (AC), alegou reunião com o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas, Jomar Fernandes, em Parintins, a convite do governador Wilson Lima (União-AM). Motta, por sua vez, também usou aviões da FAB em junho para festas juninas em Petrolina (PE), Salvador e Campina Grande (PB), sua base eleitoral, acompanhado por Alcolumbre, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e outros.
O Ministério do Turismo defendeu a viagem como apoio ao festival. A equipe de Alcolumbre citou segurança e promoção cultural. Porém, as agendas oficiais de ambos não registraram compromissos em Parintins.
A FAB não divulga motivos dos voos nem listas completas de passageiros, apenas trajetos e horários. Motta não respondeu a questionamentos sobre suas viagens.
O impacto do contingenciamento e bloqueio de R$ 2,6 bilhões nas verbas do Ministério da Defesa, determinado pela área econômica do governo, pode levar a Força Aérea Brasileira (FAB) a um cenário crítico. Uma planilha detalha possíveis impactos a partir de 14 de julho, incluindo a paralisação de 40 aeronaves e o afastamento de 137 pilotos até dezembro deste ano.
