Aporte no Master ‘tirou um peso das costas’, diz indicado por Alcolumbre
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Aporte no Master ‘tirou um peso das costas’, diz indicado por Alcolumbre

Presidente da Amprev comemorou liberação de R$ 200 milhões; valor dobrou em três semanas

Aporte no Master ‘tirou um peso das costas’, diz indicado por Alcolumbre

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Por Redação

“Tirou um peso das costas”. A frase foi dita pelo presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, ao comemorar a aprovação do primeiro aporte de R$ 200 milhões do fundo de pensão no Banco Master, em julho de 2024, segundo apuração do O Globo. Lemos foi indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

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A declaração ocorreu ao fim da reunião do comitê de investimentos em 12 de julho de 2024, logo após a liberação da compra de letras financeiras do banco de Daniel Vorcaro. O episódio foi registrado em auditoria do Ministério da Previdência Social e enviado à Polícia Federal. As reuniões eram gravadas, e os áudios embasaram a apuração.

Segundo a auditoria, a fala sugere pressão para viabilizar o investimento. O comentário não constou na ata pública da reunião. Após o primeiro aporte, a Amprev aprovou, em duas reuniões seguintes, novos investimentos que elevaram o total aplicado no Master para R$ 400 milhões em apenas três semanas.

O comitê de investimentos é composto por cinco integrantes. Três deles foram alvos de operação da PF na última sexta-feira (6): além de Lemos, José Milton Gonçalves, apontado como articulador dos aportes, e Jackson Oliveira, decisivo para formar maioria no colegiado diante da resistência de outros conselheiros.

As compras envolveram letras financeiras sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mesmo após a divulgação de parecer técnico sigiloso da Caixa Econômica Federal que classificou operação semelhante como “altamente arriscada”, os aportes avançaram. Na reunião de 19 de julho, Lemos atribuiu as críticas a “histórias do mercado” e afirmou que votaria a favor do novo aporte independentemente de diligências.

Em 30 de julho, Gonçalves voltou a propor mais R$ 100 milhões, citando retorno “muito atrativo”. O valor representava cerca de um terço do caixa da Amprev naquele momento. Apesar de novas ressalvas, o investimento foi aprovado.

Gonçalves havia sido indicado à Amprev por Alcolumbre e já era investigado por irregularidades no fundo de previdência de Macapá. Em setembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Amapá determinou seu afastamento do comitê, decisão que não foi cumprida pelo fundo. Ele deixou o cargo apenas após a operação da PF.

Em nota, a Presidência do Senado afirmou que o caso deve ser “devidamente apurado, investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal” e que “os verdadeiros culpados sejam punidos, na forma da lei”.

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