Um dos alvos da operação de hoje (06) da PF, que apura aplicações da Amapá Previdência (Amprev) no Banco Master, é o presidente da instituição, Jocildo Silva Lemos. Foram investidos R$ 400 milhões em Letras Financeiras, títulos que não tem garantia do FGC.
Lemos chegou ao comando da Amprev por indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fato já reconhecido publicamente pelo próprio dirigente. Em 2024, ao receber o “Prêmio Destaque Previdenciário”, ele afirmou que foi convidado para o cargo em 2023 pelo senador.
“No ano de 2023, seguindo uma política austera, conservadora e sobretudo com a consciência que nós iríamos entregar resultados. Resultado para aqueles que confiaram na gente. E aqui eu faço um agradecimento especial ao governador Clécio Luis, que fez a nomeação, e sobretudo ao senador Davi Alcolumbre, que me convidou para ser o presidente da Amapá Previdência”, declarou Lemos na ocasião.

Além da indicação, Jocildo Lemos atuou como tesoureiro da campanha do senador em 2022, o representou em eventos oficiais no estado e integra o diretório nacional do União Brasil no Amapá.
A operação da PF de hoje também tem como alvos Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, conselheiros do comitê de investimentos da Amprev, além da própria sede da entidade.
O Conselho Fiscal da Amprev conta com a participação de Alberto Alcolumbre, irmão do presidente do Senado, que não foi alvo das diligências.
Amprev e as Letras Financeiras do Master
Jocildo, Jackson e José são apontados como responsáveis por votos favoráveis à aquisição de Letras Financeiras emitidas pelo banco de Daniel Vorcaro, hoje liquidado. As decisões ocorreram em ao menos três reuniões realizadas em julho de 2024.
Os aportes foram autorizados apesar de alertas internos sobre o elevado risco das operações, investigações em curso envolvendo o banco e a inexistência de cobertura do FGC para esse tipo de título.
O indicado de Alcolumbre teria minimizado as advertências feitas por conselheiros representantes de servidores do Ministério Público e do Judiciário estaduais, classificando-as como “conversas de mercado” e afirmando que não havia procedimentos formais que impedissem as aplicações.
