Deputado virou alvo de investigação após ser reunir com o filho 03 do ex-presidente nos EUA
Alexandre de Moraes incluiu Filipe Barros no inquérito aberto contra Eduardo Bolsonaro por suspeita de articulação com o governo de Donald Trump, para pressionar o Supremo Tribunal Federal a encerrar o processo de Jair Bolsonaro.
Em decisão obtida pelo site, o ministro analisa pedido do advogado de esquerda Benedito Silva Júnior, que acusa o deputado federal de integrar o esforço do filho do ex-presidente contra a Corte brasileira junto a autoridades americanas.
O advogado cita viagem de Barros aos EUA em maio, na condição de presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, destacando encontro com Eduardo Bolsonaro e o deputado americano Cory Mills, presidente do Subcomitê de Inteligência e Segurança Nacional da Câmara.
Também aponta a participação de Barros em reunião com representantes da empresa SpaceX, de propriedade de Elon Musk e que foi alvo, no ano passado, de decisão de bloqueio bancário por parte de Moraes, na ação contra o X.
Diz o advogado:
“As ações do deputado Filipe Barros, em conjunto com Eduardo Bolsonaro, incluíram articulações para pressionar o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a aplicar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, possivelmente sob o amparo da Lei Magnitsky, que prevê punições a indivíduos acusados de violações de direitos humanos ou corrupção. Tais articulações, realizadas com recursos públicos e no exercício do seu mandato, sugerem a intenção de comprometer a independência do Poder Judiciário brasileiro e submeter decisões judiciais nacionais à influência de um governo estrangeiros, configurando potencial atentado à soberania nacional.”
Em sua decisão, Moraes informa que os fatos narrados pelo advogado já são alvo de investigação no inquérito que tem Eduardo e Jair Bolsonaro como alvos, e determina sua juntada.
Jair e Eduardo são acusados dos crimes de coação, obstrução de investigações e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.
Na sexta-feira 15, Jair Bolsonaro foi alvo de busca e apreensão. O ministro também impôs o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e proibição de usar redes sociais ou se aproximar de embaixadas e consulados.
DENÚNCIA INTERNACIONAL
Na semana passada, Filipe Barros anunciou que denunciará à ONU e à OEA “a perseguição contra Jair Bolsonaro e ao campo político de milhões de brasileiros”. “Como presidente da CREDN, estou acionando estes organismos internacionais para que tomem providências urgentes”, disse nas redes sociais.
