Governo articula para evitar depoimento de Frei Chico, e oposição fala em “blindagem política” dentro da comissão
A base governista se uniu nesta quinta-feira (16) para impedir a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e irmão de Lula, para depor na CPMI do INSS. A orientação do líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), foi votar contra o requerimento.

Todos os 11 requerimentos de convocação que haviam sido feitos foram negados, por 19 votos a 11.
“Sindnapi teve, inclusive, inclusões de cadastros que não poderiam ter sido feitos, porque dispensou a biometria. Por que aconteceu isso? Evidente por questão política. Alguém interferiu no INSS exatamente para isso. Então, a participação do Frei Chico no esquema do INSS é clara. Agora, quem não deve, não teme. Se o Frei Chico não tem nada, não tem problema nenhum, por que essa blindagem? Estão com medo?”, questionou o senador Izalci Lucas (PL-DF)
O ministro do STF André Mendonça ordenou na terça o bloqueio de aproximadamente R$ 390 milhões em bens e valores do Sindnapi. A decisão veio após a entidade ser alvo, na quinta passada, de uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga descontos ilegais de aposentados e pensionistas no INSS.
O presidente do Sindnapi, Milton Baptista de Souza Filho, também é alvo de um pedido de prisão preventiva da CPMI.
Em setembro de 2019, a força-tarefa da Lava Jato em São Paulo denunciou Lula e Frei Chico por corrupção passiva continuada.
Segundo a acusação, entre 2003 e 2015, o irmão de Lula teria recebido mais de 1,13 milhão de reais por meio de pagamentos mensais, que variavam de 3 mil reais a 5 mil reais, em troca de benefícios diversos obtidos pela Odebrecht.
