CPMI do INSS ouve ex-conselheira e ex-dirigente de entidade
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

CPMI do INSS ouve ex-conselheira e ex-dirigente de entidade

CPMI do INSS ouve Tonia Galleti e Felipe Gomes em apurações sobre descontos irregulares em aposentadorias
CPMI do INSS ouve Tonia Galleti e Felipe Gomes em apurações sobre descontos irregulares em aposentadorias

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Depoimentos devem esclarecer alertas ignorados sobre fraudes na Previdência

A CPMI do INSS ouve nesta segunda-feira (20) Tonia Andrea Inocentini Galleti, ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), e Felipe Macedo Gomes, ex-dirigente da Amar Brasil Clube de Benefícios.

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A reunião está marcada para as 16h, e a expectativa é de que apenas um dos depoimentos ocorra. O colegiado tem adotado a prática de agendar duas oitivas no mesmo dia para contornar possíveis habeas corpus concedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal) aos convocados.

A oitiva de Tonia Galleti é considerada central para as investigações. Ela teria alertado o então ministro da Previdência, Carlos Lupi, sobre indícios de irregularidades em descontos nas folhas de pagamento de aposentados durante reunião do CNPS, em junho de 2023.

Na ocasião, Tonia pediu que o tema dos Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) — usados por entidades para cobrar mensalidades — fosse incluído na pauta. Segundo a ata da reunião, o pedido foi negado. Lupi determinou que o assunto fosse tratado como prioridade na reunião seguinte, o que não ocorreu.

O tema só retornou à pauta em abril de 2024, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) já concluía apuração sobre o caso e a Controladoria-Geral da União (CGU) mantinha auditoria em andamento.

Felipe Macedo Gomes será questionado sobre os descontos em aposentadorias e pensões que beneficiaram a Amar Brasil Clube de Benefícios. A entidade teria movimentado cerca de R$ 1,1 bilhão em valores descontados de segurados entre 2022 e 2024.

Quem é Tonia Galleti

Documentos apontam que dirigentes do Sindnapi – associação ligada ao nome do irmão de Lula- recebiam comissões a cada desconto aplicado em benefícios do INSS. Parte dos repasses, estimados em R$ 4,1 milhões entre 2020 e 2023, teria sido feita à Gestora Eficiente LTDA, empresa ligada a familiares da cúpula sindical.

A firma é controlada por Carlos Afonso Galleti Junior, marido da advogada Tonia Galleti, coordenadora jurídica do sindicato e ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Socialm segundo informações divulgadas incialmente pelo Metrópoles. A decoradora Daugliesi Giacomasi, mulher do presidente do Sindnapi, Milton “Cavalo” Baptista, também figurou como sócia da Gestora até junho de 2024.

Tonia e o ex-ministro da INSS, Carlos Lupi. Tonia Galleti / Instagram
Tonia e o ex-ministro da INSS, Carlos Lupi. Tonia Galleti / Instagram

As investigações indicam que a Gestora Eficiente atuava como intermediária entre o sindicato, o banco BMG e a seguradora Generali, processando cadastros de novos filiados e encaminhando as informações à Dataprev para permitir os descontos em folha. O pagamento era feito por produtividade, o que fez as comissões crescerem na mesma proporção do número de aposentados descontados.

O Sindnapi é ligado à Força Sindical e tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho do presidente Lula. A entidade é um dos alvos da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura suspeitas de fraudes em convênios firmados com bancos e seguradoras.

Notas fiscais e relatórios internos indicam que, à medida que aumentavam os repasses do INSS ao sindicato — de R$ 23 milhões em 2020 para R$ 154,7 milhões em 2024 —, também cresciam os ganhos de familiares de dirigentes. Segundo os documentos, a maior parte dos novos filiados era captada por meio de parcerias com o BMG, e não diretamente nas sedes do sindicato.

Mesmo com os indícios já apresentados, a Advocacia-Geral da União e o INSS não haviam ajuizado ações contra o Sindnapi até a deflagração da operação. A AGU afirma, porém, que novas medidas podem ser adotadas caso surjam provas adicionais.

Tonia Galleti nega irregularidades, diz que não exerce cargo diretivo no sindicato e que sua remuneração decorre de honorários advocatícios. Ela também nega vínculo pessoal com o ex-ministro Carlos Lupi e afirma ter sido uma das primeiras a alertar o governo sobre práticas fraudulentas envolvendo descontos em benefícios de aposentados.

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