Zanin manda soltar investigado por venda de sentenças no STJ por excesso de prazo
Brasília, Quarta, 10 de junho de 2026
Justiça

Zanin manda soltar investigado por venda de sentenças no STJ por excesso de prazo

Empresário apontado como operador do esquema deixa prisão e passa a usar tornozeleira

Andreson Gonçalves. Foto: Reprodução

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, determinou a soltura do empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado por atuar em um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão foi tomada com base no tempo prolongado da prisão preventiva sem apresentação formal de denúncia.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Preso desde novembro de 2025 por ordem do próprio ministro, o investigado já cumpria prisão domiciliar desde meados de 2026, em razão de problemas de saúde. Ao revisar o caso, Zanin concluiu que a manutenção da custódia não se justificava diante do estágio atual das apurações.

“Considerado o dilatado tempo de prisão preventiva sem apresentação da peça acusatória, a substituição da custódia cautelar por monitoração eletrônica”, escreveu.

Com a decisão, Andreson passa a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de circulação. O ministro também avaliou que a liberdade provisória não compromete o andamento das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

As apurações, que se estendem há quase dois anos, apontam o empresário como um dos principais intermediários de um esquema que envolveria a negociação de decisões judiciais. Segundo relatório da Polícia Federal, haveria um “mercado paralelo de influência”, no qual contratos de advocacia e consultoria eram utilizados para viabilizar decisões previamente alinhadas.

De acordo com os investigadores, a estrutura funcionava com divisão de tarefas entre diferentes núcleos. Servidores públicos teriam acesso antecipado a informações sigilosas e minutas de decisões, enquanto advogados e lobistas buscavam interessados em decisões favoráveis. Já empresários figurariam como beneficiários diretos das supostas irregularidades.

A investigação também identificou o uso de estratégias típicas de organizações criminosas, como linguagem codificada, interpostas pessoas e empresas de fachada. Expressões como “a obra está pronta” eram utilizadas, segundo a PF, para indicar que uma decisão judicial já havia sido preparada.

Apesar dos indícios, a própria Polícia Federal afirmou, em relatório recente, que não há elementos que indiquem participação de ministros do STJ no esquema. A suspeita recai, até o momento, sobre a atuação isolada de servidores.

Ao justificar a soltura, Zanin também mencionou as dificuldades enfrentadas no avanço das investigações e ressaltou a necessidade de conclusão do inquérito em prazo razoável. Para o ministro, a duração da prisão vinha contribuindo para o agravamento do estado de saúde do investigado.

Em manifestação, a defesa classificou a decisão como “irrepreensível”, afirmando que o entendimento está alinhado à jurisprudência sobre excesso de prazo em prisões preventivas.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade