Oposição conseguiu barrar o PL da misoginia digital
Brasília, Terça, 30 de junho de 2026
Política

Oposição conseguiu barrar o PL da misoginia digital no Senado

Parlamentares reuniram assinaturas para retirar proposta de pauta e pedir nova análise

Oposição conseguiu barrar o PL da misoginia digital no Senado
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia. Na pauta, o PL 3.112/2023 que "altera a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), para estabelecer que a audiência de retratação nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher somente seja realizada mediante manifestação expressa da vítima, apresentada antes do recebimento da denúncia". Geral do plenário. Mesa: relatora do PL 6.674/2025, senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO); presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB); presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP); secretária-geral adjunta da Mesa do Senado Federal, Sabrina Silva Nascimento; 1ª secretária da Mesa do Senado Federal, senadora Daniella Ribeiro (PP-PB). Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A oposição reuniu 16 assinaturas para retirar de pauta o projeto que institui a Política Nacional de Combate ao Discurso de Ódio contra a Mulher na Internet. A proposta seria votada nesta semana no Senado.

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O texto é de autoria do senador Randolfe Rodrigues e prevê medidas de detecção, moderação e remoção de conteúdos considerados violentos nas plataformas digitais, além da criação de um Cadastro Nacional de Bloqueio.

Parlamentares da oposição alegaram questões legais para barrar a votação e defenderam que a proposta volte à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para nova análise.

Projeto amplia regras para plataformas

A proposta estabelece que empresas adotem sistemas híbridos de moderação, com uso de inteligência artificial e revisão humana. Também prevê mecanismos para impedir contas automatizadas e rastrear o envio em massa de mensagens.

O texto ainda cria uma autoridade central para análise de conteúdos e permite a aplicação de sanções, como desmonetização, restrição de alcance e multas que podem chegar a 10% do faturamento no Brasil.

O projeto tramita em paralelo a propostas semelhantes na Câmara, como o PL 6194/2025, que também trata de regulação de conteúdo digital relacionado a gênero.

A definição adotada no texto inclui como mulher “toda pessoa que se identifica e se reconhece no gênero feminino, inclusive mulheres trans, travestis e pessoas não binárias que assim se identifiquem”.

Discussão sobre alcance da proposta

Durante debate no programa ALive de ontem (18), o doutor e mestre em Direito Daniel Vargas afirmou que o texto amplia conceitos jurídicos.

“Quando nós passamos a tratar essa misoginia, essa categoria abrangente, ampla, difusa, que abre espaço para as interpretações mais diversas, uma definição que é apresentada na lei, vamos combater agora o ódio ou aversão às mulheres?”, disse.

Ele também questionou a ausência de critérios objetivos.

“O que é ódio? O que é aversão? Baseado em uma crença. O que é crença? É só um pensamento ou uma convicção mais profunda?”, afirmou.

O advogado Adriano Soares da Costa também criticou a proposta.

“A gente começa a dar ao Estado poderes persecutórios que limitam a liberdade individual e tudo criminaliza. E você, inclusive, é a lógica dessa criminalização é pra que você, o indivíduo, faça primeiro a autocensura”, disse.

A votação do projeto segue indefinida após a retirada de pauta.

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