Câmara deve discutir projeto da misoginia antes do recesso
Brasília, Segunda, 29 de junho de 2026
Política

Câmara deve discutir projeto da misoginia antes do recesso

Motta reúne líderes para buscar acordo sobre propostas que incluem IA, MEI e criminalização da misoginia

Motta

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou os líderes partidários para uma reunião nesta terça-feira (30), às 15h, com o objetivo de definir a pauta de votações antes do recesso parlamentar. Entre os projetos em discussão está a proposta que tipifica a misoginia como crime, além da regulamentação da inteligência artificial e da ampliação do limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs).

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O projeto sobre misoginia (PL 896/23) permanece entre os temas sem consenso na Casa. A proposta aprovada pelo Senado redefine juridicamente a misoginia como a prática, indução ou incitação de violência, restrição de direitos ou ofensa à dignidade da mulher em razão de sua condição feminina. O texto substitui conceitos presentes em versões anteriores, como “ódio” e “aversão às mulheres”.

A proposta mantém pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, e prevê agravantes quando os crimes forem praticados contra crianças, adolescentes, idosas ou mulheres com deficiência.

O relatório também amplia as punições para condutas praticadas em plataformas digitais com objetivo de obter lucro, audiência, monetização ou engajamento. O texto prevê ainda a possibilidade de suspensão temporária de perfis utilizados para disseminar conteúdos considerados ilícitos.

Além das medidas penais, o projeto inclui ações preventivas, como o fortalecimento do atendimento nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), políticas de prevenção previstas na Lei Maria da Penha e programas voltados à redução da vulnerabilidade econômica de mulheres vítimas de violência.

A relatora da proposta, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), afirmou que a reformulação buscou adequar o texto aos critérios do direito penal brasileiro. Segundo ela, expressões ligadas a estados psicológicos do agressor foram substituídas por descrições objetivas de condutas.

O projeto, contudo, enfrenta resistência de parlamentares da oposição. A deputada Bia Kicis (PL-DF) já chegou a criticar o texto durante participação no programa Alive.

“Primeira coisa, olha o que o projeto define misoginia como conduta que manifeste ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do gênero masculino. Primeira pergunta que eu quero fazer para os doutos, né, e os esquerdistas aí, o que é mulher?”, afirmou.

A parlamentar também declarou:

“Isso é censura, simplesmente censura e perseguição.”

Segundo Kicis, parlamentares da oposição já articulam mudanças na Câmara.

“Nós aqui na Câmara, nós já estamos nos mobilizando, eu, Júlia Zanatta, Miklas, Jorge, muitos parlamentares, para a gente derrubar isso aqui na Câmara”, disse.

A advogada Wanessa Borim também participou do debate e afirmou:

“Criminalizar a opinião pessoal de qualquer indivíduo… é a pior ditadura. E do pensamento, quando o indivíduo se priva de dizer algo com medo.”

Além do projeto sobre misoginia, os líderes discutirão o PLP 108/21, que amplia o teto de faturamento dos MEIs, e o marco regulatório da inteligência artificial (PL 2.338/23). A votação das matérias dependerá de acordo entre as bancadas.

O plenário também poderá analisar propostas sobre reconhecimento facial em terminais de transporte, combate a fraudes na venda de suplementos alimentares, assistência a pessoas com epilepsia, tempo máximo de espera para atendimento pediátrico no SUS e uma PEC que amplia a legitimidade de entidades nacionais de municípios para propor ações no Supremo Tribunal Federal.

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