O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, iniciou uma articulação para tentar reduzir a crise interna aberta após a divulgação do vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro faz críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A estratégia prevê conversas separadas com os dois e, posteriormente, um encontro para buscar um entendimento.
Valdemar interrompeu uma viagem aos Estados Unidos e retornou ao Brasil na quinta-feira. Em entrevista à Rádio Gaúcha, afirmou que pretende mediar o diálogo entre os dois e disse que a situação precisa ser resolvida. “Se não acertar isso aí, nós já vamos sair perdendo em casa”, declarou.
Desde que voltou ao país, o dirigente se reuniu apenas com Flávio Bolsonaro. Durante evento de lançamento de candidaturas do PL em Goiás, reafirmou apoio ao senador como pré-candidato à Presidência.
No mesmo evento, Flávio voltou a defender a união do partido e repetiu o discurso adotado após divulgar uma manifestação pública direcionada à ex-primeira-dama.
“É muito importante todos nós, sem exceção, estarmos cada vez mais unidos, deixarmos nossas pequenas diferenças de lado, porque, muitas vezes, o caminho que nós escolhemos é diferente, mas para chegar no mesmo destino, para alcançar o mesmo objetivo”, disse.
O senador também elogiou a pré-candidata a vice-governadora de Goiás, Ana Paula Rezende, durante o lançamento da chapa encabeçada por Wilder Morais.
A tentativa de pacificação, porém, ocorre enquanto permanecem divergências internas. Michelle Bolsonaro ainda não participou das conversas conduzidas por Valdemar Costa Neto.
Entre os pontos de atrito está a articulação política no Ceará. Michelle se posicionou contra uma composição envolvendo Ciro Gomes e defendeu apoio ao senador Eduardo Girão (Novo). Após a divulgação do vídeo da ex-primeira-dama, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE), pré-candidato ao Senado, divulgou uma resposta em vídeo.
Alcides afirmou que Michelle demonstra “uma completa ignorância a respeito do que é o Ceará, da sua complexidade e da sua atual situação”. Também declarou que ela expôs um assunto que, segundo ele, deveria permanecer no âmbito interno.
“Política exige uma certa maturidade para lavar roupa suja em casa e cumprir acordo publicamente”, afirmou.
O parlamentar também questionou as críticas feitas pela ex-primeira-dama.
“Existe uma narrativa de que o trabalho que estamos construindo, de diálogo e de aliança, trata-se de um projeto pessoal de poder, como se tivéssemos abrindo mão de nossos valores por mero capricho. Os valores são mesmo inegociáveis? Ou todo esse estardalhaço contra nós, e esse enorme prejuízo na campanha do Flávio Bolsonaro, foi apenas uma tentativa de criar um caos para impor uma vontade particular sua?”, declarou.
Além do Ceará, o PL ainda busca definir estratégias em Minas Gerais e Santa Catarina.
Em Minas, Flávio Bolsonaro aguarda a decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre uma eventual candidatura ao governo estadual. Paralelamente, dirigentes do PL defendem o lançamento do empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Em Santa Catarina, Michelle Bolsonaro declarou apoio à deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) para o Senado, enquanto Flávio Bolsonaro apoia a candidatura do irmão, Carlos Bolsonaro. A definição do palanque estadual permanece em negociação.
