Deputados aprovam reajustes e novos benefícios que podem custar R$ 22 bi em três anos
A tramitação da Reforma Administrativa avança lentamente na Câmara, enquanto parlamentares aprovam projetos que ampliam benefícios ao funcionalismo público e podem gerar impacto de R$ 22 bilhões nos próximos três anos.
As medidas incluem reajustes salariais e criação de adicionais, movimentação que contrasta com a dificuldade de avançar a PEC que pretende reorganizar regras do serviço público.
Entre as propostas já aprovadas pelos deputados está o reajuste escalonado de 8% ao ano para servidores do Judiciário federal, previsto para 2026, 2027 e 2028. Outro projeto concede adicional de qualificação aos funcionários da Justiça.
Os dois textos, enviados pelo próprio Judiciário, aguardam votação no Senado.
Cálculos preliminares apontam que o reajuste terá impacto anual de R$ 2,9 bilhões, enquanto o adicional deve acrescentar R$ 850 milhões por ano.
O valor pode ser ainda maior por causa do efeito cascata, já que outras categorias tendem a pressionar por equiparação.

foto: Senado Federal
O Sindilegis, por exemplo, já pediu recomposição “equivalente ou superior” para os servidores do Legislativo.
Para o relator da Reforma Administrativa, Pedro Paulo (PSD-RJ), parte das corporações tenta assegurar benefícios antes da mudança constitucional: “Há uma corrida por penduricalhos que possam virar direito adquirido”, afirma.
Antes dos avanços no Judiciário, deputados aprovaram, em outubro, uma PEC que garante aposentadoria integral e paritária a agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. Técnicos projetam impacto de até R$ 11 bilhões em três anos.
Segundo o Sinpro-DF, o movimento é reflexo da mobilização de professores e servidores das três esferas, municipal, estadual e federal, contra a proposta.
