O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) classificou como “inconcebível” a explicação apresentada pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) após a Polícia Federal encontrar US$ 49 mil em espécie em um endereço ligado ao parlamentar durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero.
Segundo Glauber, a justificativa de que os recursos teriam origem em diárias pagas pelo Senado em viagens internacionais não se sustenta.
“A explicação sobre o dinheiro encontrado em seu imóvel é inconcebível em qualquer hipótese. Ele fala que a maior parte é fruto de diárias pagas em dólar pelo Senado Federal formalmente. Tratar isso como verdade, é conceber a institucionalização do absurdo”, afirmou o deputado.
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar também declarou que o caso deve ser explorado por adversários políticos, mas defendeu que as investigações avancem sobre todos os envolvidos.
“A extrema-direita fará muito barulho com esse caso pra que o dinheiro no armário do líder do PL, os seus governadores metidos nos desvios e os ‘pedidos’ de Flávio Bolsonaro ao seu amigão Vorcaro fiquem esquecidos. Que o senador responda por seus atos e relações. Quem enfrenta a extrema-direita corrupta sem rabo preso não tem motivo pra ficar na defensiva”, escreveu.
Jaques Wagner foi alvo de medidas cautelares autorizadas pelo ministro André Mendonça no âmbito da nova fase da Operação Compliance Zero. A decisão proibiu o senador de manter contato com investigados e de atuar junto a empresas ligadas ao caso Master, salvo exceções de natureza familiar.
A investigação também apura a negociação de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões no empreendimento Poème Horto, localizado no bairro Horto Florestal, em Salvador.
Em entrevista à BandNews, Wagner confirmou que tratou do imóvel com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Segundo o senador, a intenção era auxiliar sua filha na aquisição da unidade, ainda em construção.
“É um apartamento que está em construção. Eu tinha interesse em dar o apartamento ou de ajudar minha filha a comprar um apartamento desse. Como o Augusto Lima era um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois, eu vou recomprar. Porque o apartamento está em construção, não está pronto. Então, eu teria que vender o apartamento da minha filha para poder complementar e pagar o apartamento, ou ela financiar”, declarou.
Wagner negou ter recebido qualquer transferência patrimonial e afirmou não possuir relação comercial com o Banco Master ou com a operação CredCesta.
“Eu não tenho empresa não tenho nada. Eu tenho um apartamento que é o apartamento que eu moro e meu sítio lá em Andaraí. Esse é meu patrimônio e tá declarado no imposto de renda”, disse.
A defesa de Augusto Lima também se manifestou após a operação. Em nota assinada pelos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebastián Mello, o empresário afirmou que os fatos investigados são lícitos.
“As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.
“Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.”
