Lula tira Jaques Wagner da liderança por escândalo do Master
Brasília, Quarta, 24 de junho de 2026
Política

Lula tira Jaques Wagner da liderança por escândalo do Master

Decisão foi tomada após reunião com Lula; senador é alvo da Operação Compliance Zero

Lula e Jaques Wagner
Foto: Palácio do Planalto/Paula Fróes

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou, nesta quarta-feira (24), o cargo de líder do governo no Senado após ser citado em investigações da Polícia Federal (PF) que apuram supostos vínculos com o Banco Master. A decisão foi selada após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente Lula (PT).

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Wagner vinha sofrendo pressão política desde que passou a ser alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro envolvendo agentes públicos e privados. Ele nega qualquer irregularidade.

Internamente, o presidente Lula já avaliava a substituição do senador, mas preferiu que a saída ocorresse por decisão própria, numa tentativa de reduzir desgastes políticos ao governo.

Em nota e declarações públicas, Wagner afirmou que o desligamento ocorreu em comum acordo com Lula e que sua prioridade, neste momento, será “provar sua inocência” e se dedicar às articulações políticas da base governista e às suas próprias campanhas eleitorais.

A investigação aponta suspeitas de pagamentos ligados ao núcleo associado ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo os investigadores, valores teriam sido direcionados a pessoas próximas ao senador, o que levantou suspeitas sobre possível influência indevida.

Na última segunda-feira (22), a defesa do senador apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisão do ministro André Mendonça, que havia autorizado buscas e apreensões em endereços ligados ao parlamentar. Os advogados afirmam que há “erros graves” na medida e tentam invalidar as provas obtidas na operação.

Liderança

Wagner ocupava a liderança do governo no Senado desde o início do atual mandato de Lula, tendo sido nomeado ainda na transição, em 2022. Ex-governador da Bahia, ele é considerado um dos principais aliados do presidente e manteve proximidade política e pessoal com Lula ao longo de décadas.

A relação entre os dois é marcada por confiança política de longa data, e o senador foi um dos apoiadores do presidente durante o período em que Lula esteve preso, em 2018.

No Senado, a expectativa agora é de rearranjo na articulação governista após a saída de um dos principais nomes da interlocução entre o Planalto e a Casa Legislativa.

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