Sóstenes Cavalcante, líder do PL, enviou ontem aos deputados do partido um apelo para que parem de bater em Paulinho da Força.
“Amigos, mais uma vez quero pedir a confiança de todos vocês, para evitar bater no relator Paulinho da Força, ele é meu amigo pessoal, ele bate constantemente no Lula, e nós vamos vencer… Me deem mais um voto de confiança por favor!🙏”
A liderança do deputado começou a ser questionada ainda na aprovação da PEC das Prerrogativas, texto que desprezou o que era mais importante — garantir a imunidade parlamentar sobre opiniões fora da tribuna — e que apenas oferece mais blindagem aos corruptos de plantão.
Texto que, segundo interlocutores do próprio Sóstenes, foi “acordado” com o Supremo Tribunal Federal. Ou seja, a PEC para reforçar as prerrogativas do Legislativo frente ao avanço do Judiciário precisou do aval do Judiciário.
Sóstenes não tem o direito de pedir mais um voto de confiança. Confiança em Paulinho da Força?
Paulinho da Força é autor intelectual do pedido de desbloqueio dos descontos nos contra-cheques dos aposentados e dono do Sindnapi, a associação que tem Frei Chico, irmão de Lula, como presidente.
Paulinho da Força tem como advogado Tiago Cedraz, filho de Aroldo Cedraz, o relator do caso do INSS que ‘esqueceu’ de mandar a área técnica do TCU fiscalizar a aplicação do acórdão que acaba com a farra dos descontos associativos.
Paulinho da Força, dono do Solidariedade, é também autor do pedido de revisão da Lei do Impeachment de ministros do Supremo, agora nas mãos de Gilmar Mendes, que já garantiu que nenhum de seus colegas de Corte será alvo de impeachment por parte de um eventual Senado de direita.
BOLSONARO RIFADO
Paulinho da Força fez todos esses gestos ao Supremo antes de virar relator da Anistia e sem negociar qualquer benefício vinculado à principal pauta da direita. O deputado já até trocou o nome do projeto para PL da Dosimetria, o que significa que os condenados pela imaginária tentativa de golpe carregarão para o resto da vida suas condenações.
Não é que Paulinho da Força seja um nome inadequado para conduzir tal agenda, sua indicação é moralmente inaceitável para a direita.
Sóstenes quer um voto de confiança, mas tirou completamente o poder de negociação do PL e da direita ao permitir que a PEC da Blindagem fosse votada antes da própria Anistia; assim como a própria ‘MP da Luz de Graça’, uma carta fundamental de Lula para sua reeleição.
Durante a eleição de Hugo Motta, Sóstenes foi gravado rindo-se ao lado de Lindbergh Farias, por terem “o mesmo candidato” e até colou no peito do petista o adesivo da campanha de apoio do PL ao deputado do Republicanos.
Seria apenas um gesto de cortesia, não fossem todos os gestos posteriores do próprio Sóstenes, incapaz de garantir um texto próprio do partido de Jair Bolsonaro sobre a anistia. Sim, o projeto que circulou há poucas semanas, e que já foi enterrado, partiu de apoiadores do ex-presidente, num ato de desespero pela proximidade da votação.
Não dá para esquecer também como Sóstenes ‘negociou’ com Motta a desmobilização do protesto dos deputados na Câmara, anunciando um acordo que horas depois foi desmentido e permitindo que seus colegas virassem alvo de representações no Conselho de Ética, com risco de suspensão de seus mandatos.
Os fatos sugerem que o líder do PL não merece mais nenhum voto de confiança, pois parece agir fundamentalmente como líder do sistema que diz combater.
