Ex-vice-presidente afirma que teria evitado processo sobre suposta tentativa de golpe
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice-presidente da república de 2019 a 2022, afirmou à Folha de S. Paulo que, se tivesse sido mantido na chapa de Jair Bolsonaro na eleição de 2022, o então presidente teria sido reeleito. Segundo Mourão, essa vitória teria evitado o processo por suposta tentativa de golpe que hoje atinge tanto Bolsonaro quanto seu substituto na chapa, o general Walter Braga Netto, que está preso há mais de sete meses.
Questionado sobre se ter sido preterido foi uma “bênção”, o senador-general respondeu: “Quando o Bolsonaro escolheu, não quis mais que eu fosse o vice dele. Eu acho que, se eu tivesse sido o candidato a vice dele, nós teríamos ganho”. Ele complementou, entre risos, que se tivessem vencido, “não tinha acontecido nada, estava todo mundo feliz da vida”.
A postura de Mourão contrasta com a situação de outros generais da cúpula do governo Bolsonaro, já que ele é um dos poucos a não ter se envolvido judicialmente nas investigações.
Na ação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), o senador foi arrolado como testemunha por quatro réus do “núcleo 1” do processo, incluindo Braga Netto e Augusto Heleno. Em seu depoimento, Mourão negou ter ouvido qualquer menção a planos de ruptura institucional.
Apesar da rivalidade política, Mourão tem defendido publicamente seu amigo de longa data, Braga Netto, a quem considera ter uma prisão “injusta e absurda“. Em abril, Mourão foi autorizado a visitar o general e presenteou-o com um livro sobre a liderança de generais americanos na Segunda Guerra Mundial, justificando que a leitura seria para “levantar a moral de quem está precisando”.
A relação de Mourão com Bolsonaro, no entanto, foi marcada por uma “guerra fria”. O ex-presidente chegou a compará-lo a um cunhado: “Você casa e tem que aturar o cunhado do teu lado, não pode mandar o cunhado embora”. Na mesma entrevista que fez a comparação, o então presidente disse que o vice “por vezes atrapalha um pouco a gente”.
Mourão, por sua vez, se queixou de nunca ter sido procurado por Bolsonaro para resolver as divergências. “É óbvio que eu teria tido uma conversa com ele mais detalhada a respeito do meu papel, para evitar os choques que ocorreram e que não precisavam ter ocorrido.”
