“Como eu estaria envolvido se pedi reforço?”, diz ex-secretário de Segurança do DF ao STF - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

“Como eu estaria envolvido se pedi reforço?”, diz ex-secretário de Segurança do DF ao STF

Fernando de Souza Oliveira quando prestou depoimento

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Réu no núcleo 2 da ação sobre tentativa de golpe, Fernando de Sousa afirma que pediu reforço no dia 08 de Janeiro

Em depoimento prestado nesta quarta-feira (24) ao Supremo Tribunal Federal (STF), o delegado da Polícia Federal Fernando de Sousa Oliveira, ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça e ex-secretário-adjunto de Segurança Pública do Distrito Federal (DF), afirmou que indeferiu pedidos de reforço eleitoral no segundo turno de 2022, alegando ausência de viabilidade técnica, e que solicitou apoio da Força Nacional antes dos atos do 8 de janeiro.

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Ele também disse que a Polícia Militar do DF descumpriu o PAI (Plano de Ação Integrada) e forneceu informações falsas sobre o número de efetivos. Fernando é réu no núcleo 2 do processo que apura a suposta tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, houve uma mudança de postura do Ministério da Justiça entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2022.

“No segundo turno houve uma demanda exacerbada de uma operação. E eu justifiquei que não havia nenhuma viabilidade técnica para a implementação dessa operação (…) Esse foi o primeiro desalinhamento com o ministro Torres.”

Ele ainda afirmou que indeferiu todos os pedidos de envio de efetivos da Polícia Rodoviária Federal, e que não participou de qualquer plano para blitz ou reforço de policiamento em rodovias. Segundo Fernando, os indícios levantados pela inteligência indicavam foco em centros urbanos, o que afastaria a necessidade da operação solicitada.

“Sugeri a não implementação. Na minha opinião técnica, não havia viabilidade (…) Refuto a acusação de que eu estaria alinhado em ações da PRF.”

Sobre o dia 8 de janeiro, o delegado afirmou que atuou no reforço da segurança, destacou a criação de grupos de inteligência e relatou que solicitou ajuda à Força Nacional antes dos ataques.

“Como eu estaria envolvido em alguma coisa se eu estava pedindo reforço? Eu tenho prova também. O ministro Flávio Dino citou meu nome em entrevista dizendo que eu fiz o pedido.”

Fernando responsabilizou a PMDF por quebra de protocolo e erro no efetivo empregado:

“A coronel Cíntia me passou que seriam 600 homens. Depois descobrimos que não eram nem 200. Não sei por qual motivo a PM resistiu ao comando e descumpriu com o PAI.”

O delegado também relatou ter pedido que Anderson Torres reconsiderasse a viagem feita dias antes da invasão, e disse que não foi formalmente notificado sobre a sua substituição. “Eu pedi a ele a reconsideração da viagem. Será que não tem como adiar uns 2 ou 3 dias?”

Ao final, Fernando chorou ao falar que não comprometeria sua carreira ou de sua família, e relatou ter atuado ativamente na retomada da Esplanada.

A defesa de Fernando sustenta que ele não tem atuação político-partidária e que entregou espontaneamente seu celular às autoridades. Ele é julgado ao lado de outros integrantes do núcleo 2, como Silvinei Vasques, Marília Alencar, Marcelo Câmara e Mário Fernandes.

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