Alcolumbre pauta legalização de cassinos, bingos e jogo do bicho - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Alcolumbre pauta legalização de cassinos, bingos e jogo do bicho

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Por Isac Mascarenhas

Projeto sofre resistência da bancada evangélica

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), pautou para esta terça-feira (8), a votação do Projeto de Lei dos Cassinos. A proposta é legalizar diversas modalidades de jogos de azar no Brasil, incluindo bingos, apostas em cavalos e cassinos, além de regulamentar o jogo do bicho.

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O projeto, conhecido como “Marco Regulatório dos Jogos no Brasil”, está travado no Senado desde junho do ano passado, quando foi aprovado por uma margem apertada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Segundo o relator, senador Irajá (PSD-TO), a pausa foi estratégica para angariar apoio antes da votação em plenário.

A medida, que busca derrubar a proibição de jogos de azar estabelecida por uma lei de 1946 e revogar partes da Lei de Contravenções Penais, enfrenta forte resistência, principalmente da bancada evangélica.

“Vamos tentar impedir de todas as formas”, declarou à Coluna do Estadão o presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Senado, Carlos Viana (Podemos-MG). A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), vice do grupo, reforçou: “Vamos trabalhar muito contra isso, mas muito mesmo”.

Preocupações com o impacto das apostas online, como o endividamento da população e o uso irregular para lavagem de dinheiro, também fizeram parte das discussões no Congresso.

A justificativa da proposta é criar um sistema de supervisão e fiscalização para garantir a segurança e a transparência dessas atividades, além de prever medidas para prevenir crimes como lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.

O texto original do projeto, apresentado em 1991 com foco na legalização do jogo do bicho, sofreu diversas alterações ao longo dos anos. Após aprovação na Câmara em 2022, a proposta chegou ao Senado e agora pode seguir para sanção ou veto presidencial.

Se aprovada, a regulamentação trará regras detalhadas para cada modalidade. Cassinos, por exemplo, só poderão funcionar em complexos integrados de lazer ou em embarcações. Esses locais deverão ter um capital social mínimo de R$ 100 milhões, oferecer acomodações de alto padrão e possuir licenças de operação de 30 anos, renováveis. A distribuição de licenças será limitada, baseada na população e no território de cada estado.

Bingos permanentes poderão operar em casas exclusivas ou estádios de futebol com mais de 15 mil lugares, com licenças de 25 anos renováveis. Já o jogo do bicho dependerá de cauções financeiras para credenciamento, com permissão de uma licença a cada 700 mil habitantes por Estado.

A tributação será um ponto crucial. Ganhos acima de R$ 10 mil serão taxados em 20% via Imposto de Renda. As casas de apostas pagarão taxas trimestrais que variam de R$ 20 mil a R$ 600 mil, dependendo do tipo de jogo. Além disso, haverá a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) com alíquota de 17%. O Ministério da Fazenda será responsável por fiscalizar, licenciar e autorizar as operações.

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