Lula entrega hoje PEC da Segurança ao Congresso - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Lula entrega hoje PEC da Segurança ao Congresso

Governo Lula diz que não tinha conhecimento prévio do contrato entre Ricardo Lewandowski e o Banco Master e nega conflito de interesses no caso.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Após mais de 10 meses de costura política e mudanças, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrega nesta quarta-feira (23) ao Congresso a PEC da Segurança Pública. A proposta amplia o poder da União sobre a política de segurança, em um movimento que tem gerado forte reação de governadores e deve sofrer alterações durante a tramitação.

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Lula se reunirá com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e líderes do governo no Parlamento, em um encontro fechado no fim da tarde.

Principais mudanças previstas na PEC:

  • A União passa a definir diretrizes da política nacional de segurança, com poder sobre a atuação de polícias estaduais e municipais;
  • A Polícia Federal ganha competência para investigar milícias e crimes ambientais, hoje condicionados à federalização ou decisão judicial;
  • A Polícia Rodoviária Federal muda de nome para Polícia Viária Federal e assume também o patrulhamento de ferrovias e hidrovias.

Para o governo, a proposta permite “padronizar” as ações de segurança no país. Para os estados, representa ingerência federal sobre atribuições estaduais.

Ainda assim, ele defendeu que a PEC siga o rito regular de tramitação, sem manobras. O texto será analisado primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso aprovado, segue para comissão especial e depois para votação em dois turnos no plenário, onde precisa de ao menos 308 votos.

No Senado, o rito é semelhante. Aprovada nas duas Casas, a PEC é promulgada diretamente pelo Congresso, sem necessidade de sanção presidencial.

Governadores de diferentes partidos veem na proposta uma tentativa do governo federal de avançar sobre competências dos estados. O próprio nome da PEC, segundo interlocutores, já é alvo de disputa: o Planalto quer chamá-la de “PEC da Segurança Nacional”, enquanto líderes estaduais e municipais tentam manter o termo “Segurança Pública” para preservar a autonomia dos entes federativos.

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