CCJ da Câmara retoma hoje discussão sobre PEC da redução da maioridade penal
Brasília, Quarta, 10 de junho de 2026
Política

CCJ da Câmara retoma hoje discussão sobre PEC da redução da maioridade penal

Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

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Por Redação

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados retoma nesta quarta-feira (10), a partir das 10h, a discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O texto, de autoria do então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), é o único item da pauta da reunião.

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Se for aprovada na CCJ, a proposta seguirá para uma comissão especial, que deverá ser criada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para análise do mérito. Somente depois o texto poderá ser votado em plenário.

A votação estava prevista para ontem (09), mas foi adiada em razão do início das deliberações no plenário da Câmara.

O relator da proposta, deputado Coronel Assis (PL-MT), apresentou parecer favorável à admissibilidade da PEC. Segundo ele, a medida não viola cláusulas pétreas da Constituição nem tratados internacionais ratificados pelo Brasil.

De acordo com o parlamentar, a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança veda apenas penas cruéis, degradantes, prisão perpétua ou pena de morte para crimes cometidos por menores de 18 anos.

No entanto, o relator retirou de uma das propostas apensadas dispositivos que ampliavam direitos civis para maiores de 16 anos, como a possibilidade de casar, celebrar contratos e a obrigatoriedade do voto.

O texto em discussão é um substitutivo apresentado por Coronel Assis em 24 de abril. A versão restringe a responsabilização penal de adolescentes de 16 e 17 anos a crimes específicos.

Pela proposta, jovens dessa faixa etária poderão responder criminalmente apenas por crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. O parecer retoma modelo aprovado pela Câmara em 2015 e posteriormente arquivado pelo Senado em 2022.

O texto estabelece que “são penalmente inimputáveis os menores de 18 anos, sujeitos às normas da legislação especial, ressalvados os maiores de 16 anos, observando-se o cumprimento da pena em estabelecimento separado dos maiores de dezoito anos e dos menores inimputáveis, em casos de crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte”.

A versão original da PEC prevê a redução da maioridade penal e civil para 16 anos. Segundo o texto, “a maioridade é atingida aos 16 anos, idade a partir da qual a pessoa é considerada penalmente imputável e capaz de exercer plenamente todos os atos da vida civil”.

Atualmente, a Constituição considera inimputáveis os menores de 18 anos e os submete à legislação específica. A proposta original também torna obrigatórios o alistamento eleitoral e o voto a partir dos 16 anos, hoje facultativos nessa faixa etária.

O texto ainda reduz a idade mínima para cargos eletivos, fixando 30 anos para presidente da República e senador, 25 anos para governador, 18 anos para deputado e prefeito e 16 anos para vereador.

No parecer, Coronel Assis afirma que a proposta original enfrenta obstáculos constitucionais e políticos. Segundo ele, “a forma como a PEC 32/2015 foi apresentada padece de vícios de inconstitucionalidade material que impedem sua aprovação na íntegra”.

O relator acrescenta que “a proposta original, ao pretender instituir a ‘plena maioridade civil e penal’ de forma ampla e irrestrita, colide frontalmente com o arcabouço de proteção especial à criança e ao adolescente, consagrado como prioridade absoluta no artigo 227 da Constituição”.

Ainda de acordo com Assis, “a redução da maioridade penal somente será admissível se feita de maneira restrita e cuidadosa, preservando-se o núcleo essencial da proteção constitucional aos menores”.

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