Levantamento da Genial/Quaest indica apoio majoritário a medidas de endurecimento penal rejeitadas por Lula
A maioria da população do Rio de Janeiro apoia a proposta de enquadrar facções criminosas como organizações terroristas. Segundo pesquisa Genial/Quaest, 72% dos entrevistados defendem a mudança na legislação rejeitada pelo presidente Lula (PT). O tema voltou ao debate após a megaoperação policial realizada na semana passada nos complexos da Penha e do Alemão.
A proposta tem maior apoio entre eleitores de direita (95%) e bolsonaristas (91%), enquanto cai para 49% entre lulistas e 36% entre pessoas que se identificam com a esquerda. Entre os que se dizem independentes, o índice é de 74%.

O projeto é de autoria do deputado Danilo Forte (União-CE) e tramita desde março na Câmara. Ele prevê aumento de pena para crimes com armamento de guerra, uso de barricadas e domínio territorial. O relator será o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de Segurança de São Paulo licenciado para reassumir o mandato e participar da discussão.
Paralelamente, o governo Lula apresentou o chamado “pacote antifacção”, elaborado pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O texto cria o tipo penal de “organização criminosa qualificada”, com penas que podem chegar a 30 anos em casos de homicídio.

A pesquisa mostra que 85% dos moradores apoiam o aumento de pena para homicídios a mando de facções e 53% são favoráveis ao fim das saídas temporárias de presos, mesmo com bom comportamento. Outros 62% defendem a suspensão das visitas íntimas a detentos ligados ao crime organizado.
A GLO (Garantia da Lei e da Ordem) tem apoio de 59% da população fluminense, com exceção da capital. Já 60% avaliam de forma negativa a atuação do governo federal na segurança pública, enquanto 53% consideram que o Planalto não tem ajudado os estados no combate ao crime organizado.
A megaoperação policial contra o Comando Vermelho teve aprovação de 64% dos entrevistados, mas a percepção geral de insegurança permanece alta. A confiança na Polícia Militar subiu de 65% para 72%, enquanto a confiança no Judiciário caiu de 67% para 61%.
O levantamento da Genial/Quaest foi realizado entre os dias 30 e 31 de outubro em 40 municípios do Rio de Janeiro, com 1.500 entrevistas. A margem de erro é de três pontos percentuais.
