3 jornalões reclamando do Moraes censor - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

3 jornalões reclamando do Moraes censor

Censura no STF: imprensa reage quando o alvo é ela própria
Imprensa brasileira desperta tarde contra censura de Moraes

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Por Henrique Soldani

Reação tardia da imprensa expõe oportunismo

Os principais jornais brasileiros — Folha de S. Paulo, Estadão e O Globo — criticaram as ações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impõem censura ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a plataformas digitais. A reação, porém, surge tarde, após anos de silêncio diante da repressão a vozes dissidentes, especialmente da direita.

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A Folha de S. Paulo condena a conduta de Moraes, que ordenou a remoção de conteúdos na internet dias após ao tarifaço de Donald Trump no Brasil.

“A obsessão censora do ministro Alexandre de Moraes deveria ser inibida. Soou como demonstração inútil de força a ordem a uma plataforma de rede social dos EUA para apagar contas de um blogueiro direitista dias depois de Trump ameaçar o Brasil. A imposição, também por Moraes, de um silêncio kafkiano a Jair Bolsonaro tampouco traz qualquer vantagem para o desiderato da aplicação segura da lei penal”, publicou o jornal.

O Estadão classifica como abuso a proibição de Bolsonaro conceder entrevistas, medida que limita a circulação de notícias. Em editorial intitulado “Um caso escandaloso de censura”, o jornal afirma:

“Moraes cometeu um abuso. As medidas cautelares foram impostas a Bolsonaro, e não a terceiros que, por dever de ofício ou apreço pelo ex-presidente, transmitem suas declarações públicas em veículos de imprensa ou nas redes sociais. Na prática, o STF proibiu Bolsonaro de conceder entrevistas, pois não há mais conteúdo jornalístico que deixe de circular pelas redes sociais hoje em dia. O que é isso senão censura prévia? O que é isso senão uma afronta gritante à garantia constitucional da liberdade de imprensa?”

O Globo, em editorial, critica a decisão do ministro, alertando que Moraes priva a sociedade de informações.

“Há sérios problemas aqui. O primeiro deles é que a imprensa deve ser livre e não pode trabalhar sob cerceamento. O segundo é que, antes de qualquer condenação, Bolsonaro deve ser livre para dar entrevistas. Medidas cautelares anunciadas para garantir o julgamento de ações penais não podem atropelar outros direitos fundamentais, como a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa”, afirmou o jornal, citando o cancelamento de uma coletiva da oposição.

Por anos, esses jornais ignoraram as restrições de Moraes. Agora, com a censura ameaçando seus interesses, denunciam o autoritarismo. A demora aponta para um oportunismo: enquanto a liberdade de expressão era corroída, optaram pela omissão. Hoje, clamam por justiça, mas o prejuízo já se consolidou.

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