Presidente da comissão afirma que seguirá pedindo documentos
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, afirmou nesta quarta-feira (4), que a comissão seguirá investigando denúncias de fraudes e irregularidades em empréstimos consignados, mesmo diante de habeas corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal e da rejeição de requerimentos de convocação considerados sensíveis por parte de parlamentares.
“Tenho coragem de enfrentar todo e qualquer tema. Coloco em votação sem nenhuma restrição, sem nenhum tipo de blindagem. Aqui nós colocamos às claras para o povo brasileiro saber o que está acontecendo”, declarou Viana ao comentar a expectativa para o depoimento previsto para a tarde, de uma pessoa que, segundo ele, é investigada em suspeitas de envolvimento em desvios superiores a R$ 1 bilhão.
O senador criticou diretamente a decisão do ministro Nunes Marques, que concedeu habeas corpus ao depoente, Américo Monte Júnior, presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), garantindo o direito de permanecer em silêncio durante a oitiva.
Para Viana, a medida representa “mais uma interferência do Supremo Tribunal Federal numa investigação que é independente”.
“Ele vem já com habeas corpus, não terá obrigação nenhuma de falar. Mas a população vai saber quais são as acusações e suspeitas que pesam sobre ele. Se ficar em silêncio, vai ter que ouvir toda a exposição”, afirmou.
Apesar das limitações impostas pela decisão judicial, Viana garantiu que a comissão poderá avançar por outras vias institucionais. Segundo ele, mesmo que determinados requerimentos não sejam aprovados, a presidência da CPMI pode requisitar documentos diretamente ao STF e à Polícia Federal.

“Como presidente de uma comissão, posso requisitar todo e qualquer documento oficial que esteja em inquérito por parte do Estado. Portanto, a verdade não será calada na CPMI”, disse.
Ao ser questionado sobre a rejeição de requerimentos envolvendo nomes ligados ao governo, como Lulinha e Jorge Messias, Viana sinalizou que a decisão ficará sob julgamento dos eleitores e aposentados. “Se votam contra, aí é uma questão para que os eleitores façam seu julgamento. A comissão continuará votando requerimentos, seja de quem for.”
O senador também denunciou pressão de instituições financeiras sobre parlamentares, para evitar convocações. “Em dezembro nós já tivemos pressão de bancos que emprestam dinheiro a 22% ao mês para aposentados. Imaginem em fevereiro e março”, afirmou.
Segundo ele, representantes de bancos devem ser chamados nas primeiras semanas do próximo período de trabalho da comissão.
Viana informou ainda que alguns nomes ligados a instituições financeiras, como o C6 Bank, chegaram a ser retirados de pautas de investigação, o que, em sua avaliação, precisa ser melhor esclarecido.
“Tem que se questionar por que isso foi feito. Existem diversos nomes que não vieram sob habeas corpus. Estamos entrando com pedidos de revisão e, se o Supremo permitir, essas pessoas serão ouvidas”, declarou.
Sobre a possibilidade de prorrogação da CPMI por mais 60 dias, Carlos Viana disse que depende agora da coleta de assinaturas no Senado e na Câmara.
Segundo ele, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, indicou que pode considerar o pedido após essa etapa ser concluída.
“Ele pediu primeiro as assinaturas. Acredito que considerará e nos dará esse tempo”, concluiu o senador.
