Valdemar sobre relatório das urnas: “Prejuízo enorme para o PL” - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Valdemar sobre relatório das urnas: “Prejuízo enorme para o PL”

Valdemar

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Presidente do PL afirmou ao STF que divulgação do documento foi motivada por pressão de deputados

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (15) que a divulgação do relatório técnico produzido pelo Instituto Voto Legal (IVL), em 2022, ocorreu por pressão de deputados da legenda. “Levamos uma multa de 23 milhões por causa desse levantamento, foi um prejuízo enorme para o partido”, disse.

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O depoimento foi prestado como testemunha de defesa de Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, engenheiro e presidente do IVL, réu no processo do núcleo 4 da ação penal que investiga uma suposta campanha de desinformação contra o sistema eletrônico de votação.

Valdemar confirmou que a contratação do IVL foi feita com recursos próprios: “Todos os contratos com a empresa do engenheiro Carlos Rocha foram feitos com recursos de doação de campanha, não com recurso público”. Disse ainda que não participou da decisão de tornar público o material: “Foi contra a minha vontade. Mas como tinha uma pressão muito grande dos deputados, para que a gente deixasse público aquilo, acabou indo esse movimento”.

Sobre o contrato, reconheceu que havia previsão de uma atuação colaborativa com a Justiça Eleitoral. Questionado sobre um possível aditivo após o segundo turno para aprofundar a análise, Valdemar respondeu: “Não me recordo”.

O professor Paulo Lício de Geus, do Instituto de Computação da Unicamp, que atuou na elaboração e revisão do relatório, declarou: “Essa história de fraude que tem por aí… as pessoas estavam preocupadas com a contagem de votos. O que nós fizemos foi analisar a atividade que cada urna fazia”. E completou: “Eu não analisei os votos, quem vai para um lado ou quem vai para o outro”.

Flávio Gottardo de Oliveira, também responsável técnico pelo documento, confirmou que houve dois momentos distintos no contrato. “O escopo do trabalho era só verificar possíveis não conformidades e desconformidades. O estudo das causas não era parte do nosso trabalho.” Segundo ele, “não tinha nenhum escopo de verificação de causas ou possibilidade de fraudes”.

Questionado sobre irregularidades encontradas, afirmou: “Sim, notamos alguns pontos de atenção que foram reportados. Uma quantidade muito grande de necessidade de religamento da urna, nomes de eleitores e títulos de eleitor nos logs. Apareceram registros com a palavra ‘error’, bastante frequente”.

Gottardo reforçou que o relatório não tinha caráter opinativo. “Tudo que foi escrito tem justificativa, embasamento técnico e bibliográfico. O relatório do IVL não tem opinião, só tem evidência científica.”

A multa de R$ 22,9 milhões aplicada ao PL foi decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022, sob acusação de litigância de má-fé. O tribunal entendeu que o partido não apresentou indícios mínimos que justificassem uma auditoria extraordinária nas urnas eletrônicas do segundo turno.

As oitivas seguem até 16 de julho, com foco nas testemunhas arroladas pela defesa dos réus do núcleo 4. As audiências são realizadas por videoconferência e conduzidas por juiz auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.

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