O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, afirmou que considera certo o engajamento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) na defesa do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa presidencial. A declaração foi dada a jornalistas na segunda-feira (23) durante evento do grupo Esfera Brasil.
“Eu não tenho dúvida disso”, disse o dirigente ao ser questionado sobre a presença dos dois em atos de campanha. Na avaliação dele, o apoio está ligado ao cenário enfrentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 20 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
“Nenhum dos dois quer ver o Bolsonaro preso pelo resto da vida. O Bolsonaro foi condenado a mais de 20 anos de prisão, isso é uma loucura. E se nós não vencermos a eleição, ele vai ficar mais oito anos fechado. Então, eles vão estar do lado dele (Flávio) no palco”, afirmou.
Valdemar também reagiu às avaliações de que Michelle estaria distante da articulação política. Ele negou qualquer ruptura interna e justificou a atuação discreta da ex-primeira-dama pela dedicação ao marido, que cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
“Nunca existiu um racha. Porque existe o seguinte: a Michelle Bolsonaro não tem tempo de fazer nada. Ela faz a comida para o Bolsonaro de manhã e vai levar na hora do almoço. Ninguém quer ver o marido e nem o pai na situação que o Bolsonaro está. Esse é o grande problema”, declarou.
As falas ocorrem após entrevista do deputado Eduardo Bolsonaro ao SBT News, na qual cobrou maior protagonismo político de Michelle e Nikolas e mencionou uma suposta “amnésia” de ambos.
No sábado, ao deixar a unidade prisional depois de visitar o ex-presidente, Nikolas rebateu: “Primeiro, que eu discordo que eu tenha amnésia e que a Michelle tenha amnésia. Eu me lembro muito bem de todos os anos que eu fui atacado injustamente.”
Ele acrescentou:
“Bater em mim eu já estou acostumado. Já tem mais de três anos que eles estão aí nessa saga. Mas, sabe, deixa a Michelle viver o calvário dela. Eu acho que o Eduardo não está bem. E eu realmente faço questão de não perder meu tempo com essas divergências, porque eu acredito que a gente tem um Brasil pra salvar.”
O presidente do PL também entrou em divergência pública com o ex-vereador Carlos Bolsonaro após declarações sobre a elaboração de listas de pré-candidatos ao Senado e aos governos estaduais.
Valdemar afirmou que a indicação ao Senado cabe ao ex-presidente, mas que as definições para governos estaduais são conduzidas pela direção partidária. “Debatemos tudo, mas o Senado é o Bolsonaro que indica. Sempre foi. Nós indicamos os governadores. Todos nós damos palpites em tudo. É normal. Sempre ouvimos nossos parceiros”, disse.
Carlos reagiu sustentando que “ninguém disse” que a família não dialoga com o partido ou que estaria impedida de sugerir nomes para outras disputas, sinalizando que o tema ainda está em discussão dentro da legenda.
