A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) voltou a criticar a aliança entre o PL do Ceará e o pré-candidato ao governo do estado Ciro Gomes (PSDB). No domingo (19), ela afirmou que a “direita do Ceará está vendida” após o tucano declarar que poderia apoiar Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão) na disputa pela Presidência da República, sem citar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A declaração foi feita em um comentário no Instagram, em uma publicação que repercutia a entrevista concedida por Ciro durante a Expocrato, no Cariri.
“Choca? Não! Só não viu quem não quis, por causa do velho ‘toma lá, dá cá’. Eu alertei que esse senhor, cujo partido contribuiu para deixar o meu marido inelegível, não daria o seu apoio. Ainda assim, queria os votos dos bolsonaristas. Infelizmente, a direita do Ceará está vendida”, escreveu Michelle.
Na entrevista ao portal Cariri News, Ciro afirmou que ainda discute com lideranças do PSDB qual será o posicionamento do partido na eleição presidencial. Ao comentar possíveis candidatos, disse que votaria em Ronaldo Caiado “sem nenhuma dificuldade” e afirmou acompanhar a pré-candidatura de Renan Santos.
“Estou acompanhando essa novidade que apareceu, que é o Renan Santos. Me parece uma pessoa que, a despeito de jovem, está falando coisas muito verdadeiras, embora aqui e ali tenha exageros. É uma possibilidade”, declarou.
O ex-ministro também afirmou que sua prioridade é a disputa pelo governo do Ceará e destacou que sua aliança reúne políticos com posições diferentes na eleição nacional. Como exemplo, citou o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), que apoia Flávio Bolsonaro, e o deputado federal Mauro Benevides Filho (União), aliado do presidente Lula (PT).
Atrito público
A manifestação de Michelle ocorre em meio ao desgaste provocado pela decisão do PL cearense de apoiar Ciro Gomes na eleição estadual. A ex-primeira-dama defende a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE), enquanto Flávio Bolsonaro e a direção nacional do PL respaldam a composição com o tucano.
A divergência chegou a provocar um atrito público entre Michelle e Flávio. No fim de junho, a ex-primeira-dama afirmou que foi “desrespeitada” e “maltratada” pelo senador após criticar as articulações do partido no Ceará. Flávio negou ter tido a intenção de ofendê-la e pediu desculpas caso suas palavras tenham sido interpretadas dessa forma.
Aliado de Michelle, Eduardo Girão também voltou a criticar Ciro no último fim de semana. O senador afirmou que o ex-ministro é “uma cobra para nos picar em 2030” e disse que o tucano representa a “esquerda raiz”, apesar da aproximação com setores da direita cearense.
