Urgente: Moraes manda prender ex-assessor de Bolsonaro e abre inquérito contra seu advogado - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Urgente: Moraes manda prender ex-assessor de Bolsonaro e abre inquérito contra seu advogado

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Por Henrique Soldani

Suspeita de obstrução envolve troca de mensagens com Cid

Alexandre de Moraes determinou a prisão de Marcelo Costa Câmara, ex-assessor especial da Presidência no governo Jair Bolsonaro. Na decisão, o ministro aponta descumprimento de medidas cautelares no inquérito que investiga suposta organização criminosa acusada de planejar um golpe de Estado.

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Segundo Moraes, Câmara violou proibições de usar redes sociais e de contatar outros investigados, ações que demonstram “desprezo” pelo Judiciário. Moraes destacou que as condutas de Câmara sugerem continuidade de práticas ilícitas, agravando sua situação na Petição 12.100/DF, uma das principais frentes da investigação sobre a suposta trama golpista.

Advogado na Mira

Moraes também abriu inquérito contra Eduardo Kuntz, advogado de Câmara, por suspeita de obstrução à Justiça. O magistrado identificou indícios de que Kuntz tentou acessar informações sigilosas do acordo de colaboração de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Para Moraes, a conduta reforça os riscos da liberdade de Câmara e aponta para tentativa de interferir nas investigações.

Kuntz apresentou ao STF mensagens trocadas com o Cid, ex-ajudante entre janeiro e março de 2024, por meio do perfil de Instagram @gabrielar702, supostamente operado por Cid, que estava proibido de usar redes sociais e de contatar outros investigados.

Nas conversas, Cid criticou a condução de sua delação premiada, alegando que a PF tentou “colocar palavras em sua boca”, como a palavra “golpe”, e fez comentários sobre ministros do STF, chamando Moraes de “Kadafi do Judiciário”. Kuntz anexou 50 páginas de diálogos, incluindo áudios e uma foto enviada por Cid para confirmar sua identidade, com o objetivo de pedir a anulação da delação por “falta de voluntariedade”.

Kuntz afirmou que foi procurado por Mauro Cid em janeiro de 2024, por meio de um perfil no Instagram. Para confirmar a identidade, os dois realizaram uma ligação, durante a qual o tenente-coronel também enviou uma foto. Segundo o advogado, como já conhecia Cid, acreditou que o contato fosse um possível convite para assumir sua defesa.

A conduta de Kuntz, segundo Moraes, indica tentativa de acessar informações sigilosas da delação de Cid, configurando possível obstrução às investigações. Cid, em interrogatório no STF, negou ter usado o perfil e afirmou que não discutiu sua delação com terceiros, o que contraria as evidências apresentadas por Kuntz. A Meta, dona do Instagram, foi acionada para fornecer dados do perfil, mas ainda não entregou as informações. A defesa de Câmara usou as mensagens como estratégia para questionar a validade da delação, enquanto a prisão de Câmara e o inquérito contra Kuntz reforçam a percepção do STF de que ambos tentaram interferir no processo.

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