Unafisco nega vazamento por auditor alvo da PF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Unafisco nega vazamento por auditor alvo da PF

Presidente da associação afirma que há indícios de acesso indevido, mas não de repasse de dados a terceiros

presidente da Unafisco

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Por Redação

Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (18), o presidente da Unafisco, Kleber Cabral, afirmou que não há indícios de que o auditor fiscal Ricardo Mansano tenha vazado dados sigilosos. O servidor foi alvo de operação da Polícia Federal (PF) na terça-feira (17).

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Segundo Cabral, existem indícios de acesso indevido, mas não há comprovação de que informações tenham sido repassadas a terceiros.

“O que nós temos até esse momento são indícios de acesso. De vazamento, pelo menos em relação ao auditor fiscal, absolutamente nenhum, porque não há notícia nenhuma de que a pessoa que ele acessou, que é uma enteada do ministro Gilmar [Mendes], que tenha vazado qualquer informação sobre ela”, afirmou.

Mansano relatou a interlocutores que houve um acesso acidental ao CPF de Maria Carolina Feitosa, enteada do ministro Gilmar Mendes e filha da advogada Guiomar Feitosa. O auditor teria informado que já prestou esclarecimentos à Receita Federal.

Cabral explicou a versão apresentada pelo servidor. “Tinha sido um acesso que ele não devia ter feito. Ele mesmo acusou isso: ‘eu não devia ter feito, porque na verdade era uma questão que eu tentei achar uma pessoa que era ex-esposa de um amigo de longa data. Eu vi o mesmo sobrenome, a mesma cidade, achei que era a mesma pessoa e acabei usando o sistema da Receita para tentar tirar essa dúvida'”.

Além de Mansano, outros três servidores foram alvo de mandados de busca e apreensão e de medidas cautelares. Eles são investigados por suspeita de acessar e vazar dados fiscais sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do procurador-geral da República e de familiares.

A operação foi deflagrada no âmbito de investigação aberta no inquérito das fake news. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), foram impostas medidas como uso de tornozeleira eletrônica, afastamento da função pública, cancelamento de passaportes e proibição de saída do país.

Em nota, o STF informou que apurações preliminares identificaram “diversos e múltiplos acessos ilegais” ao sistema da Receita Federal para coleta de dados sigilosos de autoridades. Segundo a Corte, também teria sido constatada a entrega de informações a terceiros.

O presidente da Unafisco criticou as medidas adotadas. “A gente fica muito apreensivo de ver a desproporcionalidade da ação, entendeu? Uma pessoa que sem processo, não é no curso do processo, houve uma medida cautelar gravosa antes do processo. Ela não teve processo disciplinar aberto, não teve processo nenhum”, declarou.

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