Uma mudança de nome na Polícia que pode custar R$ 250 Milhões - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Uma mudança de nome na Polícia que pode custar R$ 250 Milhões

Operações da Polícia Rodoviária Federal (Divulgação/PRF)

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Por Redação

Entre custos milionários, novas atribuições e limitações, a proposta do governo esconde a crise de saúde mental dos policiais pra debaixo do tapete

Proposta pelo governo na PEC da Segurança Pública que tramita no Congresso, a troca de nome da Polícia Rodoviária Federal pode custar mais de R$ 250 milhões aos cofres públicos, segundo cálculos obtidos pela CNN.

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A mudança para “Polícia Viária Federal” incluiria novas atribuições de patrulhamento em ferrovias e hidrovias, além das rodovias.

O “reposição de marca” exigiria alteração completa da identidade visual da corporação — de fardas à pintura de viaturas e aeronaves. Apenas a repintura de um helicóptero pode custar até R$ 250 mil. A troca de uniformes para cerca de 13 mil policiais teria impacto adicional de R$ 80 mil.

Apesar de apoiarem a PEC, representantes da PRF tentam evitar a mudança de nome, alegam que a instituição completará 100 anos em 2028 e que o nome atual carrega tradição e reconhecimento.

A PEC está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e deve ser votada ainda este mês. O relator é o deputado Mendonça Filho (União-PE). Se aprovada, segue para uma comissão especial.

Competências restritas

Outro ponto contestado por servidores da PRF é um artigo que limita a atuação da corporação na apuração de crimes. Pelo texto, a futura Polícia Viária Federal não poderá exercer funções das polícias judiciárias nem investigar infrações penais. A prerrogativa seria exclusiva da Polícia Federal e das polícias civis, restando à nova corporação apenas a atividade de inteligência prevista em lei.

A proposta também prevê que a PRF, em sua nova configuração, possa atuar em apoio emergencial a forças estaduais e distritais, mediante solicitação dos governadores e autorização do governo federal.

Boa parte dessas mudanças já consta em normas infralegais. Com a PEC, seriam incorporadas à Constituição.

A injustiça mata

Uma questão importante para os policiais é a matança da corporação. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que 110 policiais militares e civis da ativa tiraram a própria vida em 2023, enquanto 107 morreram em combate — 46 casos no decorrer do trabalho e 61 durante os “bicos”.

Como prova de que a cabeça dos soldados não vai bem. A taxa de suicídio entre policiais civis e militares da ativa cresceu 26,2% em 2023 em comparação ao ano anterior e se transformou na maior causa das mortes de policiais no Brasil, superando as que se dão em confrontos, seja durante o serviço ou na folga.  Ainda assim, o governo parece ter outras preocupações.

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