Análise ocorre em meio a investigação sobre suspeita de fraudes em assinaturas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga nesta terça-feira (4) o pedido de criação do Partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL). O processo foi pautado a pedido do relator, ministro André Mendonça, e tem parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A articulação para a criação da legenda, que pode se tornar o 30º partido político do país, começou em 2023. O MBL reuniu 590 mil assinaturas validadas pelo TSE, e o pedido formal de registro foi apresentado em julho deste ano, após a validação.

O presidente do MBL, Renan Santos, já afirmou algumas vezes que o grupo lançará candidato próprio à Presidência da República em 2026.
Renan Santos, um dos fundadores do movimento que surgiu nas manifestações de 2014 contra o governo Dilma Rousseff (PT), descartou apoio a uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Segundo ele, o movimento rompeu com o governo paulista. O deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil) deixou a vice-liderança na Assembleia Legislativa de São Paulo. Santos afirmou que o MBL “nunca se escorou no Tarcísio” e destacou que o grupo apenas colaborou em pautas específicas, como a privatização da Sabesp.
MBL alvo de investigação no Rio
A Justiça Eleitoral do Rio abriu inquérito para investigar possíveis irregularidades na coleta de assinaturas para a criação do partido Missão, articulado pelo MBL. O caso tramita na 174ª Zona Eleitoral de Três Rios, após impugnação da Promotoria Eleitoral, que apontou inconsistências nos documentos entregues ao cartório.
De acordo com o despacho, parte do material anexado ao processo apresentava “natureza distinta” dos procedimentos eleitorais, o que levou à remessa do caso à Polícia Federal para apuração de fraudes ou falsificação de dados de eleitores.

O TSE é responsável por validar os apoios e decidir sobre o registro da nova sigla. Pela Lei nº 9.096/1995, são necessárias 492 mil assinaturas de eleitores distribuídas em pelo menos nove estados. Na denúncia recebida por este site, a amostra de assinaturas que o TSE coletou, 16 disseram que nunca assinaram isso, os outros 30 não encontraram o endereço.
A diretoria do MBL afirmou para a equipe deste site, que a movimentação em torno das impugnações tem caráter político e busca apenas criar desgaste público ao partido. Segundo o movimento, o Ministério Público Eleitoral já reconheceu a validade do número mínimo de fichas exigido para a criação da legenda.
“A abertura de investigação não preocupa justamente porque já batemos o mínimo exigido e, mesmo que essas assinaturas sejam retiradas, não afeta o montante que já ultrapassamos”, afirmou o movimento.