O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump tem deixado claro que pretende redefinir a posição dos Estados Unidos na economia global, após discursar ao congresso americano confirmando endurecer taxação de países como China, México e Canadá. O tema foi debatido no programa Alive, desta quarta-feira (05) onde especialistas analisaram a estratégia do republicano para um eventual segundo mandato.
Leonardo Corrêa, advogado e presidente da Lexum, destacou que o discurso protecionista de Trump não significa um isolamento econômico, mas sim uma resposta às práticas comerciais desfavoráveis que os EUA enfrentaram por décadas. “Os produtos americanos sempre foram tarifados no exterior, enquanto os produtos estrangeiros entravam nos EUA com poucas barreiras. Ele está tentando corrigir esse desequilíbrio”, afirmou Corrêa. O advogado também destacou que Trump é conhecido por sua tática agressiva de negociação, iniciando as conversas com posições radicais para depois flexibilizá-las.
O analista financeiro Hugo Queiroz argumentou que Trump não pretende romper com a macroeconomia tradicional, mas sim recuperar a saúde financeira dos EUA. “Ele quer reduzir o déficit americano e está usando tarifas como uma ferramenta de barganha para isso. Já colocou Canadá, México e China nessa esteira, e deve fazer o mesmo com outros parceiros”, explicou. Queiroz também ressaltou que Trump busca crescimento econômico ao incentivar investimentos internos. “Empresas que investirem e produzirem nos EUA não serão taxadas. Isso atrai bilhões em investimentos, fortalecendo a economia de forma estrutural”.
Queiroz apontou que Trump tem apostado em acordos bilaterais para atacar a inflação. “Um exemplo é a Argentina, que pode fornecer energia barata e produtos agrícolas competitivos. Isso reduziria custos para os americanos e ajudaria a controlar a inflação”, disse. O analista também destacou que Trump criticou a política ambiental ESG e anunciou a reabertura de 180 usinas de geração de energia fechadas por questões ambientais.
O cientista político Christian Lohbauer explicou que a postura de Trump não é de fechamento econômico, mas sim de um ajuste de rota. “Ele não quer romper com o livre mercado, mas aplicar tarifas seletivas para fortalecer a indústria americana. Não faz sentido fechar o mercado por completo”, disse Lohbauer. Ele destacou que Trump combina três medidas principais: “redução de impostos, corte de gastos e proteção seletiva de setores estratégicos”.
Lohbauer apontou que a postura dos EUA sob Trump pode levar a um realinhamento global. “Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA lideraram um modelo de globalização. Agora, Trump sinaliza uma abordagem mais pragmática, priorizando os interesses americanos”. Ele também mencionou que o ex-presidente pretende pressionar a Europa a assumir maior responsabilidade na guerra na Ucrânia, negociando diretamente com a Rússia para encerrar o conflito.
