Trump anuncia que tarifas recíprocas incluirão todos os países - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Trump anuncia que tarifas recíprocas incluirão todos os países

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Foto: Reprodução/X @realDonaldTrump

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite de domingo (30) que as novas tarifas recíprocas incluirão todos os países, e não um grupo restrito como esperado. O plano, que será detalhado nesta quarta-feira (2) e batizado por ele de “Dia da Libertação”, prevê taxas proporcionais às cobradas por outros países sobre produtos americanos. “Você começa com todos os países. Essencialmente, todos os países dos quais estamos falando”, afirmou Trump a jornalistas no Air Force One, segundo a Reuters.

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A decisão derruba expectativas de um impacto limitado e aumenta o temor de uma nova rodada de tensões comerciais globais. Os mercados reagiram de imediato: o Dow Jones Futuro recuou 0,45%, o S&P 500 caiu 0,76% e o Nasdaq Futuro perdeu 1,20%. Títulos do Tesouro americano se valorizaram, com o rendimento dos papéis de dois anos caindo seis pontos-base, para 3,85%, e os de dez anos recuando para 4,20%. “Com o risco de recessão nos EUA, a parte curta e intermediária da curva de juros americana é o melhor abrigo”, avaliou Jamie Niven, gestor da Candriam, à Bloomberg.

O iene avançou, e o ouro atingiu um novo recorde, refletindo a fuga de investidores para ativos considerados seguros diante da incerteza sobre a economia americana.

Trump afirmou que está aberto a negociações para evitar as tarifas, mas o The Washington Post relatou que ele pressiona assessores a adotarem uma postura mais agressiva. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou que a União Europeia precisará reagir para minimizar os danos das medidas protecionistas.

A perspectiva de estagflação preocupa investidores. “O cheiro de estagflação nos EUA está se intensificando”, afirmou Mohamed El-Erian, consultor econômico da Allianz, citando a queda na confiança do consumidor e a alta nas expectativas inflacionárias.

Para o Goldman Sachs, o risco de recessão nos EUA nos próximos 12 meses dobrou para cerca de 35% com a escalada da guerra comercial. O banco também elevou sua projeção para a inflação americana e espera que o Fed corte os juros três vezes até dezembro. “A atual deterioração na confiança das famílias e dos negócios eleva o risco de um impacto econômico severo”, afirmou o Goldman em nota.

Thomas Barkin, presidente do Fed de Richmond, alertou que a economia americana enfrenta uma “névoa densa”, justificando uma política monetária “moderadamente restritiva”. Para ele, as tarifas atuais podem ter um impacto ainda maior do que as de 2018, dado o atual patamar de inflação.

 

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