‘Três gols contra de uma vez só’, diz economista sobre nova regra de tributação
Brasília, Quarta, 15 de julho de 2026
Economia

‘Três gols contra de uma vez só’, diz economista sobre nova regra de tributação

Câmara dos Deputados.
Câmara dos Deputados. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Fonseca aponta que manutenção de isenções em LCI e LCA desestimula investimentos e encarece dívida pública

A aprovação da Medida Provisória (MP 1.303/2025) pela comissão mista do Congresso Nacional, nesta terça-feira (7), reacendeu o debate sobre a tributação de investimentos no Brasil. Na avaliação do economista JH Fonseca, o governo não tem conduzido corretamente a reforma no setor.

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A proposta, aprovada por 13 votos a 12 pelos parlamentares, mantém a isenção do Imposto de Renda (IR) para Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e debêntures incentivadas, ao mesmo tempo em que unifica a alíquota de Imposto de Renda (IR) em 18% para demais aplicações financeiras, incluindo ações. Fonseca considera esse modelo altamente prejudicial ao ambiente de investimentos no país.

“Quando o governo aumenta os impostos sobre investimentos, mas mantém LCA, LCI e outras letras isentas, ele faz três gols contra de uma vez só”, afirma o economista.

Segundo ele, o primeiro problema está na desincentivação ao capital de risco, essencial para fomentar inovação e produtividade no país. “O Brasil é um país carente de investimentos produtivos e de risco, que ficam ainda mais onerados em relação a simplesmente deixar o dinheiro no banco em uma LCA, por exemplo.”

O segundo impacto, de acordo com Fonseca, é sobre a indústria de fundos mais arrojados, como os de ações ou multimercados, que perdem competitividade frente à renda fixa isenta. “Isso deve dizimar de vez a indústria de fundos de risco, afinal fica muito mais difícil ganhar da renda fixa quando se tem 18% a mais de IR na largada.”

Por fim, o economista destaca a distorção que a isenção dessas letras causa no próprio financiamento do governo, e sugere que o país poderia até economizar bilhões se corrigisse esse desequilíbrio.

“A isenção dessas letras cria uma distorção no mercado, que encarece o custo da dívida pública. Não vejo ninguém fazendo um debate sério sobre isso. É óbvio que o governo paga mais caro para captar dinheiro porque tem que concorrer com esses produtos”, iniciou.

“Não me surpreenderia se descobrissem que as letras isentas aumentam, por exemplo, o custo das Notas do Tesouro Nacional Série B (NTNBs) em 1% ao ano. Se nossos políticos fossem competentes, encomendariam um estudo sobre isso para ver qual seria o tamanho da economia para o país, caso eliminassem essa distorção”, completou o especialista.

Para ele, provavelmente se chegaria à conclusão de que o Brasil se beneficiaria mais ao reduzir o imposto sobre investimentos e eliminar a isenção das letras que hoje não pagam imposto.

Entenda a Medida Provisória aprovada

A Medida Provisória em questão redefine a tributação de investimentos com foco no aumento de arrecadação a partir de 2026. A expectativa inicial de receita caiu de R$ 21,8 bilhões para R$ 17 bilhões, após concessões políticas durante a tramitação. A MP precisa ser votada em plenário até quarta-feira (8) para não perder a validade.

Entre os principais pontos da proposta estão:

  • Fim da isenção para vendas mensais de criptomoedas até R$ 35 mil;
  • Criação de programas de regularização tributária para criptoativos e apostas esportivas;
  • Aumento da CSLL das fintechs de 9% para 15%;
  • Elevação do IR sobre Juros sobre Capital Próprio de 15% para 20%;
  • Equiparação de regras entre o mercado de balcão e a B3;
  • Criação de ETF isento com ativos incentivados.

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