Transparência Internacional cita Toffoli e denuncia Brasil na OEA por desmonte no combate à corrupção - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Transparência Internacional cita Toffoli e denuncia Brasil na OEA por desmonte no combate à corrupção

Ministro Dias Toffoli autoriza buscas na Vara de Curitiba contra Sergio Moro por acusações de Tony Garcia sobre supostas gravações ilegais.
Foto: Andressa Anholete/STF

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

A Transparência Internacional (TI) denunciou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) o desmonte do combate à corrupção no Brasil e em outros países da América Latina.

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Durante audiência temática sobre os impactos da corrupção e da impunidade nos direitos humanos nas Américas na segunda-feira (03), representantes da TI apontaram retrocessos recentes, com destaque para a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que anulou as provas do acordo de leniência da Odebrecht (atual Novonor) na Lava Jato.

O gerente de pesquisa e advocacy da TI – Brasil, Guilherme France, destacou que a anulação do acordo de leniência da Odebrecht, em setembro de 2023, resultou na suspensão de mais de 100 processos, incluindo aqueles com condenações baseadas em confissões.

Além de afetar o Brasil, a decisão de Toffoli beneficiou réus em países como Argentina, Equador, EUA, México, Panamá, Peru e Uruguai, onde investigações e processos também estavam dependentes das provas fornecidas pelo acordo de leniência.

“Se o Brasil primeiro exportou corrupção, agora exporta impunidade”, afirmou France na reunião.

Representantes da Colômbia e da República Dominicana também citaram, durante a audiência, o caso Odebrecht como exemplo de como a corrupção transnacional segue impactando direitos humanos e comprometendo a democracia na região.

No total, a Odebrecht reconheceu ter pago propina em 12 países. É o maior esquema de suborno internacional da história.

Os recursos contra a decisão de Dias Toffoli estão há 18 meses sem julgamento no Supremo.

CONFIRA A NOTA DO GABINETE DE TOFFOLI SOBRE O CASO:

“Resposta do gabinete do ministro Dias Toffoli

As decisões do ministro Dias Toffoli são extensões de decisão colegiada da Segunda Turma, tomada em fevereiro de 2022 quando ele ainda não a integrava, sob relatoria do então ministro Ricardo Lewandowski, a quem ele sucedeu na relatoria (ver detalhe aqui: https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=482091&ori=1). Importante ressaltar que mais de cem pedidos de extensão, a maioria dos apresentados, foram negados. Destaca-se ainda que, sobre as empresas, o ministro não anulou acordos de leniência, estando eles suspensos e neste momento em processo de negociação entre governo e empresas, nos autos da ADPF 1051, sob relatoria do ministro André Mendonça. Em relação às demais pessoas físicas, foram anuladas provas, mantidos os termos dos acordos de colaboração, e os juízes responsáveis vão analisar o prosseguimento dos processos”.

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