STF ouve defesas de militares acusados de planejar sequestro e morte de Lula, Alckmin e Moraes
A Primeira Turma do STF retomou nesta manhã (12) o julgamento do núcleo 3 da suposta “trama golpista”. Restam as sustentações orais das defesas de quatro réus. Em seguida, o relator do caso, Alexandre de Moraes, deve apresentar seu voto pela condenação ou absolvição dos acusados.
Segundo a PGR, o grupo — formado por militares da ativa e da reserva, entre eles integrantes das Forças Especiais conhecidos como “kids pretos” — teria planejado o sequestro e a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice, Geraldo Alckmin (PSB), e do próprio Moraes.
Os réus respondem no STF por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
Entre os julgados pelo STF estão: o general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira; os tenentes-coronéis Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira, Rodrigo Bezerra de Azevedo, Sérgio Cavaliere de Medeiros e Ronald Ferreira de Araújo Júnior; os coronéis Bernardo Romão Corrêa Netto, Fabrício Moreira de Bastos e Marcio Nunes de Resende Júnior; além de Wladimir Matos Soares, agente da Polícia Federal.
Na sessão de ontem (11), o procurador-geral Paulo Gonet defendeu a condenação da maioria dos réus. “Integrantes deste núcleo pressionaram agressivamente o Alto Comando do Exército a ultimar o golpe de Estado. Puseram autoridades públicas na mira de medidas letais e se dispuseram a congregar forças militares terrestres ao serviço dos intentos criminosos”, afirmou.
De acordo com Gonet, os “kids pretos” atuaram em duas frentes: na articulação política dentro do Exército e no planejamento de atentados contra membros do STF, especialmente Moraes.
O único poupado do pedido de condenação por todos os crimes foi o tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior — segundo o procurador, não há provas de que ele tenha participado de “ações violentas”, mas sua responsabilização foi pedida por incitação ao crime e animosidade entre as Forças Armadas e as instituições democráticas.
