Ministros retomam trabalhos com pronunciamentos esperados sobre sanções a Moraes
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta sexta-feira (1º) os trabalhos do segundo semestre após o recesso. A sessão de abertura está marcada para as 10h, com a expectativa de manifestações sobre as sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes pelo governo dos Estados Unidos.
O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, deve se pronunciar sobre as medidas adotadas com base na Lei Magnitsky. Moraes, relator das ações contra Jair Bolsonaro (PL), também deve se manifestar.
A Casa Branca anunciou no dia 30 de julho a aplicação de sanções contra Moraes. Em resposta, o STF divulgou nota institucional afirmando que “não se desviará do seu papel de cumprir a Constituição e as leis do país, que asseguram a todos os envolvidos o devido processo legal e um julgamento justo”.
Nas redes sociais, Gilmar Mendes e Flávio Dino se solidarizaram com Moraes. Dino publicou um versículo bíblico. Gilmar classificou o colega como alguém que tem “prestado serviço fundamental à democracia”.
As sanções constam nos sistemas do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) e do Departamento do Tesouro dos EUA. A medida proíbe cidadãos norte-americanos de fazer negócios com Moraes e bloqueia bens ou ativos nos EUA.
Segundo o governo dos EUA, a sanção é motivada por decisões do ministro que afetaram liberdades civis, incluindo a atuação contra plataformas de redes sociais. Moraes é citado em ações da Rumble e da Trump Media.
Em maio, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, já havia declarado a possibilidade de aplicação da Magnitsky. Em julho, anunciou a revogação de vistos de ministros do STF e de seus parentes.
O governo dos EUA relaciona as sanções a decisões judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Julgamento de Bolsonaro
Com o retorno das atividades, a ação penal contra Bolsonaro e aliados entra na fase final. As defesas têm até 13 de agosto para apresentar alegações finais. O julgamento será conduzido pela Primeira Turma.
Estão incluídos no processo os ex-ministros Anderson Torres, Alexandre Ramagem, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Braga Netto e o almirante Almir Garnier. O tenente-coronel Mauro Cid já colaborou com a investigação.
Além do núcleo principal, outras três frentes do caso — que somam 31 réus — também avançam na Corte e podem ser julgadas ainda este ano.
PMDF no 8 de Janeiro
Entre 8 e 18 de agosto, o STF julgará sete oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) por suposta omissão nos atos de 8 de Janeiro. A análise será feita no plenário virtual da Primeira Turma.
Os réus incluem os coronéis Fábio Augusto Vieira, Klepter Rosa Gonçalves, Jorge Eduardo Naime Barreto, Paulo José Ferreira, Marcelo Casimiro Rodrigues; o major Flávio Silvestre de Alencar; e o tenente Rafael Pereira Martins.
Caso Marielle
Está previsto para o segundo semestre o julgamento dos acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. As alegações finais já foram entregues pela Procuradoria-Geral da República.
A PGR pede a condenação dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, do delegado Rivaldo Barbosa, do ex-major Ronald Paulo Alves Pereira e de Robson Fonseca, conhecido como Peixe, por homicídio qualificado e organização criminosa.
Troca na presidência
Luís Roberto Barroso segue na presidência do STF até setembro, quando deve ser substituído por Edson Fachin. A eleição será simbólica, seguindo o critério de antiguidade entre os ministros que ainda não exerceram o cargo.
Pauta inicial
Na sessão de reabertura, o STF deve julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4067, que contesta a destinação de 10% da contribuição sindical para centrais sindicais, prevista na Lei 11.648/2008. O relator é o ministro Barroso.
