STF reabre semestre sob sanções dos EUA e julgamento de Bolsonaro - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

STF reabre semestre sob sanções dos EUA e julgamento de Bolsonaro

Foto: Fellipe Sampaio/STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Ministros retomam trabalhos com pronunciamentos esperados sobre sanções a Moraes

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta sexta-feira (1º) os trabalhos do segundo semestre após o recesso. A sessão de abertura está marcada para as 10h, com a expectativa de manifestações sobre as sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes pelo governo dos Estados Unidos.

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O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, deve se pronunciar sobre as medidas adotadas com base na Lei Magnitsky. Moraes, relator das ações contra Jair Bolsonaro (PL), também deve se manifestar.

A Casa Branca anunciou no dia 30 de julho a aplicação de sanções contra Moraes. Em resposta, o STF divulgou nota institucional afirmando que “não se desviará do seu papel de cumprir a Constituição e as leis do país, que asseguram a todos os envolvidos o devido processo legal e um julgamento justo”.

Nas redes sociais, Gilmar Mendes e Flávio Dino se solidarizaram com Moraes. Dino publicou um versículo bíblico. Gilmar classificou o colega como alguém que tem “prestado serviço fundamental à democracia”.

As sanções constam nos sistemas do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) e do Departamento do Tesouro dos EUA. A medida proíbe cidadãos norte-americanos de fazer negócios com Moraes e bloqueia bens ou ativos nos EUA.

Segundo o governo dos EUA, a sanção é motivada por decisões do ministro que afetaram liberdades civis, incluindo a atuação contra plataformas de redes sociais. Moraes é citado em ações da Rumble e da Trump Media.

Em maio, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, já havia declarado a possibilidade de aplicação da Magnitsky. Em julho, anunciou a revogação de vistos de ministros do STF e de seus parentes.

O governo dos EUA relaciona as sanções a decisões judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022.

Julgamento de Bolsonaro

Com o retorno das atividades, a ação penal contra Bolsonaro e aliados entra na fase final. As defesas têm até 13 de agosto para apresentar alegações finais. O julgamento será conduzido pela Primeira Turma.

Estão incluídos no processo os ex-ministros Anderson Torres, Alexandre Ramagem, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Braga Netto e o almirante Almir Garnier. O tenente-coronel Mauro Cid já colaborou com a investigação.

Além do núcleo principal, outras três frentes do caso — que somam 31 réus — também avançam na Corte e podem ser julgadas ainda este ano.

PMDF no 8 de Janeiro

Entre 8 e 18 de agosto, o STF julgará sete oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) por suposta omissão nos atos de 8 de Janeiro. A análise será feita no plenário virtual da Primeira Turma.

Os réus incluem os coronéis Fábio Augusto Vieira, Klepter Rosa Gonçalves, Jorge Eduardo Naime Barreto, Paulo José Ferreira, Marcelo Casimiro Rodrigues; o major Flávio Silvestre de Alencar; e o tenente Rafael Pereira Martins.

Caso Marielle

Está previsto para o segundo semestre o julgamento dos acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. As alegações finais já foram entregues pela Procuradoria-Geral da República.

A PGR pede a condenação dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, do delegado Rivaldo Barbosa, do ex-major Ronald Paulo Alves Pereira e de Robson Fonseca, conhecido como Peixe, por homicídio qualificado e organização criminosa.

Troca na presidência

Luís Roberto Barroso segue na presidência do STF até setembro, quando deve ser substituído por Edson Fachin. A eleição será simbólica, seguindo o critério de antiguidade entre os ministros que ainda não exerceram o cargo.

Pauta inicial

Na sessão de reabertura, o STF deve julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4067, que contesta a destinação de 10% da contribuição sindical para centrais sindicais, prevista na Lei 11.648/2008. O relator é o ministro Barroso.

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