Zema também criticou STF e questionou alinhamento do Brasil com o Brics
Os governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Rafael Fonteles (PT-PI) debateram e acabaram mostrando visões opostas sobre a crise diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos. Enquanto o Zema criticou o STF, o presidente Lula e até a participação brasileira no Brics, Fonteles defendeu o governo e elogiou o trabalho do vice-presidente Geraldo Alckmin.
No debate promovido pelo jornal O Globo, Zema afirmou que o ministro Alexandre de Moraes “paga pelo que plantou” e acusou o magistrado de ser “réu, juiz, acusador e testemunha”, o que, segundo ele, compromete a credibilidade do Judiciário. O governador também questionou a presença do Brasil no Brics, bloco que, para ele, “é um Frankenstein, sem pontos em comum com o país”.
“Querendo ou não, as questões econômicas e políticas têm uma zona de interseção, uma zona meio cinzenta. Está claríssimo que temos tido, principalmente por parte do Supremo, do ministro Alexandre de Moraes, excessos. Ele é o réu, o juiz, o acusador, a testemunha. Isso cria realmente um problema sério para a credibilidade do nosso Judiciário. Nesse caso específico da ação contra ele, ele está pagando o preço por aquilo que plantou.”
Aliado de Lula, Fonteles defendeu a postura do Planalto na condução das negociações com Washington, destacando que os EUA já recuaram em 700 itens tarifários e adiaram o início do tarifaço.
“O governo mantém o diálogo sem ser subserviente, conduzido por um dos homens mais capacitados do país, o ministro Geraldo Alckmin.”
Apesar das divergências políticas, os dois governadores reconheceram o impacto econômico do tarifaço. Zema apontou prejuízos para Minas Gerais, especialmente para o setor cafeeiro, que continua com taxa de 50%, e anunciou R$ 200 milhões em crédito emergencial para exportadores.
