O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu, nesta segunda-feira (10), a data do julgamento da cabeleireira Débora dos Santos, presa por sua participação nas manifestações de 8 de janeiro de 2023. Durante o protesto, Débora escreveu, com batom, a frase “perdeu, mané” na estátua da deusa Têmis, localizada em frente ao STF.
De acordo com o calendário da Corte, o julgamento será realizado entre os dias 21 e 28 de março, no plenário virtual, formato no qual os ministros apenas depositam seus votos, sem debates ou sustentações orais da defesa.
Dois anos de prisão preventiva
Débora foi presa em 17 de março de 2023, durante a 8ª fase da operação Lesa Pátria, conduzida pela Polícia Federal. No entanto, permaneceu mais de um ano detida sem que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentasse denúncia formal, algo que só ocorreu em 7 de julho de 2024, após denúncia da revista Oeste sobre sua situação.
Em 9 de agosto do mesmo ano, a 1ª Turma do STF aceitou a denúncia, tornando Débora ré no processo. Nas últimas semanas, seus advogados apresentaram alegações finais.
A defesa tem pedido a conversão da prisão em prisão domiciliar, destacando que Débora é mãe de dois filhos menores. O ministro Alexandre de Moraes, porém, vem negando os pedidos, alegando que a cabeleireira representa “periculosidade social”.
Com o julgamento se aproximando, o caso reforça as críticas sobre a condução dos processos relacionados ao 8 de janeiro, especialmente no que diz respeito ao tempo prolongado de prisão preventiva e à falta de debates na análise das acusações
