STF esvaziou CPI do Crime Organizado, diz relatório final
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

STF esvaziou CPI do Crime Organizado, diz relatório final

Documento afirma que decisões da Corte criaram “obstáculos graves” e comprometeram investigações

Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado afirma que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) “esvaziaram” a capacidade investigativa da comissão e comprometeram a apuração de possíveis conexões entre facções criminosas, agentes públicos e estruturas do sistema financeiro. O documento será votado nesta terça-feira (14).

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Elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB/SE), o texto sustenta que intervenções judiciais recorrentes impediram o avanço de medidas consideradas centrais. Segundo o relatório, decisões monocráticas de ministros da Corte “suspenderam reiteradamente medidas investigativas regularmente aprovadas pelo colegiado, criando obstáculos graves ao desenvolvimento dos trabalhos” .

O documento afirma ainda que essas decisões “comprometeram a capacidade da CPI de produzir provas e ouvir pessoas de interesse” .

Um dos principais episódios citados envolve o ministro Gilmar Mendes, que anulou a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações S.A., ligada ao ministro Dias Toffoli. A medida havia sido autorizada pela CPI, mas foi derrubada sob o argumento de ausência de fundamentação concreta.

De acordo com o relatório, a decisão determinou que órgãos públicos e empresas “se abstivessem de encaminhar dados” e que informações já enviadas fossem “inutilizadas” , o que, na avaliação da comissão, inviabilizou uma linha relevante de investigação.

Outro ponto destacado são decisões do ministro André Mendonça, que concedeu habeas corpus a investigados e testemunhas, esvaziando convocações aprovadas pela CPI.

Entre os casos citados está o do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que obteve decisão convertendo sua convocação obrigatória em convite, com autorização para prestar esclarecimentos por escrito. Segundo o relatório, ele deixou de comparecer a três sessões consecutivas da comissão .

O mesmo ocorreu com o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), que também foi desobrigado de depor após decisão do ministro. A CPI pretendia ouvi-lo sobre negociações envolvendo o BRB e o Banco Master .

Ainda segundo o documento, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono Banco Master, teve o comparecimento tornado facultativo por decisão judicial.

Outros investigados ligados ao Caso Master também obtiveram decisões favoráveis no STF, entre eles Fabiano Zettel — cunhado de Vorcaro e controlador do fundo Arleen — além de Paulo Humberto Barbosa, Leonardo Palhares, Ana Cláudia Queiroz da Paiva, Paulo Sérgio Neves e Beline Santana.

O relatório menciona ainda decisão do ministro Edson Fachin, presidente da Corte, que manteve a suspensão da quebra de sigilo relacionada ao caso envolvendo Toffoli. Neste sentido, Fachin entendeu que não caberia à presidência do STF revisar decisões monocráticas de outros ministros .

A CPI também relata que convocações foram inviabilizadas por decisões judiciais ou ausência de autorização. Um exemplo citado foi a impossibilidade de ouvir o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro TH Jóias, preso e apontado pela Polícia Federal como ligado a facção criminosa, devido à ausência de despacho do ministro Alexandre de Moraes

O documento afirma que houve uma “judicialização intensa” dos trabalhos, com investigados recorrendo sistematicamente ao STF para barrar medidas da comissão.

Para os parlamentares, esse movimento, somado à não prorrogação do prazo da CPI, produziu um “efeito profundamente negativo” sobre as investigações .

Além da análise sobre a atuação do Judiciário, o relatório final apresenta propostas legislativas, recomendações e pedidos de indiciamento.

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