A deputada federal Sílvia Waiãpi (PL-AP), uma das parlamentares que perderá o mandato após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou a eleição de sete deputados federais com base nas “sobras eleitorais”, divulgou uma nota em repúdio à medida.
“Uma injustiça foi cometida na data de hoje. Nós, parlamentares do Norte, fomos prejudicados com a perda de cinco mandatos conquistados nas urnas, sendo quatro somente no meu estado Amapá. Mudar as regras com o jogo em andamento não apenas desrespeita a vontade popular, mas também gera sérios e perigosos precedentes para a nossa democracia”, afirmou a deputada.
A decisão do STF, que aplicou retroativamente a inconstitucionalidade das novas regras das “sobras eleitorais”, atingiu de forma significativa a bancada do Norte, especialmente o Amapá. Sílvia Waiãpi destacou a discriminação sofrida pelos parlamentares da região e ressaltou sua luta como mulher indígena de direita, comprometida com a soberania do Brasil.
“Além disso, essa decisão retira uma mulher do Norte, filha do Amapá, representante da Amazônia e indígena, que desde o início do mandato tem sofrido ataques e perseguições políticas. A discriminação contra parlamentares da nossa região não pode ser normalizada. Mulher indígena de direita? Que luta pela soberania do Brasil e pela igualdade sem vitimismos? Não é o que querem!!!”, declarou.
Sílvia Waiãpi também lembrou das ameaças de morte que recebeu no mês passado ao ser designada para representar a Câmara nas negociações do Marco Temporal junto ao STF.
“Eu defendo o Brasil e a sua soberania como nação. Isso não é comum, é assustador para muitos!!”, acrescentou.
A parlamentar reafirmou seu compromisso com a justiça, o respeito às regras democráticas e a representatividade do Norte no cenário político nacional. “Seguirei firme na defesa da justiça, do respeito às regras democráticas e da representatividade do Norte no cenário político nacional. Não desistirei do meu propósito em entregar o melhor para o Brasil, em especial o Amapá.”
A decisão do STF, tomada por 6 votos a 5, foi criticada por diversos setores da política brasileira, que enxergam a medida como uma interferência na vontade popular expressa nas urnas em 2022.
